O El Niño registrado entre maio de 1997 e junho de 1998 é apontado por cientistas como o mais intenso já observado, resultando em prejuízos estimados em US$ 5,7 trilhões e cerca de 23 mil mortes em todo o mundo. O fenômeno alterou padrões climáticos globais, desencadeando secas severas, enchentes, incêndios florestais, surtos de doenças e ondas de calor em diversos continentes.
Como se formou o evento de 1997-98
Os primeiros indícios do El Niño começaram a surgir no final de 1996, quando medições mostraram elevação anormal das temperaturas na superfície e embaixo dela, no Oceano Pacífico Equatorial. Em fevereiro de 1997, uma corrente de água quente já se estendia do litoral do Peru até a Nova Guiné. Nos meses seguintes, o aquecimento atingiu picos de até 6 °C acima da média em áreas subsuperficiais, sinalizando o desenvolvimento de um episódio excepcionalmente forte.
Esse foi o primeiro evento de El Niño completamente monitorado pela comunidade científica, graças à expansão das redes de observação marítima iniciada após o impacto do fenômeno de 1982-83.
Impactos climáticos e socioeconômicos
O aumento generalizado das temperaturas globais em 1997 e 1998 resultou no período mais quente já registrado até então. Em vários pontos do planeta, o excesso de calor intensificou chuvas torrenciais e enchentes. No Chifre da África, o volume de água elevou os riscos de malária, cólera e febre do Vale do Rift. Na Ásia, países como China, Japão e Coreia do Sul sofreram com tufões mais frequentes.
Enquanto isso, Indonésia, Filipinas e Papua-Nova Guiné relataram surtos de doenças transmitidas pela água em excesso. A Bacia Amazônica enfrentou seca rigorosa, levando a incêndios florestais prolongados e agravando o desmatamento. Indonésia, Malásia e Filipinas também registraram estiagens significativas, e a Coreia do Norte lidou com falta de alimentos e novos casos de cólera.
Nos Estados Unidos, os estados do sul e a Califórnia sofreram tempestades e inundações, enquanto o norte do país teve um dos invernos mais amenos já observados.
Imagem: Imagem ilustrativa
Monitoramento de novo episódio para 2026
Atualmente, meteorologistas acompanham indícios de que um novo El Niño pode se intensificar até julho de 2026. Embora as condições iniciais não reproduzam totalmente a força registrada em 1997-98, o aquecimento gradual do Pacífico Equatorial mantém pesquisadores em alerta.
Segundo Josh Willis, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, “o evento deste ano começou mais tarde que os grandes El Niños de 2015 e 1997, mas já se aproxima de padrões semelhantes. Resta observar até que magnitude ele poderá chegar”.
Com informações de Olhardigital
