A expansão dos veículos eletrificados no Brasil levantou questionamentos sobre a exposição a campos eletromagnéticos gerados por baterias de alta tensão, motores e sistemas eletrônicos embarcados. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as vendas de carros elétricos e híbridos baterias registraram recorde no mercado nacional, aumentando o interesse sobre possíveis riscos à saúde relacionados à radiação não ionizante.
O que são campos eletromagnéticos não ionizantes?
Campos eletromagnéticos não ionizantes apresentam energia insuficiente para ionizar moléculas, diferentemente de radiações como raio X. Esses campos estão presentes em celulares, roteadores Wi-Fi, redes elétricas e também nos veículos, em frequências que podem variar entre radiofrequência e baixa frequência, conforme explica o físico Roberto “Pena” Spinelli, da USP.
Fontes de emissão em veículos elétricos
Equilíbrio entre exposição e limites internacionais
Entidades como a Comissão Internacional de Proteção contra Radiação Não Ionizante (ICNIRP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) definem diretrizes que, no caso de campos magnéticos de baixa frequência, estabelecem limite de 200 µT (microteslas) para o público geral. Dentro de um carro elétrico, os níveis medidos normalmente variam entre poucos µT e picos de até 10–20 µT durante acelerações ou frenagens.
Comparativo com veículos a combustão e carregamento rápido
Embora o debate foque nos modelos eletrificados, automóveis movidos a combustão também contam com alternador, módulos eletrônicos e sistemas de ignição que geram campos eletromagnéticos. No processo de recarga rápida em corrente contínua (DC), o carregador de bordo passa a ser o componente ativo, elevando temporariamente as emissões próximas ao cabo e à estação, mas ainda dentro dos parâmetros de segurança.
Ausência de evidências de riscos à saúde
Após décadas de estudos, não há comprovação científica de que a exposição a campos não ionizantes em níveis comuns em carros, redes Wi-Fi ou aparelhos domésticos cause danos à saúde. Embora algumas pesquisas antigas tenham sugerido correlações estatísticas entre campos de baixa frequência e doenças como leucemia infantil, não foi estabelecida relação causal consistente, segundo a OMS e especialistas consultados pelo Olhar Digital.
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Regulação no Brasil
No país, a Anatel exige homologação de dispositivos de telecomunicações embarcados em veículos, observando limites de exposição estabelecidos pela ICNIRP e OMS. Já o Inmetro não fiscaliza emissões eletromagnéticas em carros, e a Senatran não impõe requisitos específicos de compatibilidade eletromagnética para veículos elétricos, recomendando uso de normas internacionais adotadas pela indústria automotiva.
Com informações de Olhardigital