A SpaceX recebeu da Força Espacial dos Estados Unidos (USSF) um acordo no valor de US$ 4,16 bilhões (aproximadamente R$ 21 bilhões) para desenvolver o programa SB-AMTI (Space-Based Airborne Moving Target Indicator). A iniciativa tem como meta implementar uma rede de sensores em órbita terrestre capaz de identificar e rastrear ameaças aéreas em movimento em qualquer ponto do planeta.
O contrato foi anunciado pouco depois de a empresa de Elon Musk ter assegurado outro aporte de US$ 2,29 bilhões para criar a constelação Backbone, parte integrante da Rede de Dados Espaciais (SDN). Somadas, as duas propostas superam US$ 6,4 bilhões em investimentos do governo americano em tecnologias espaciais militares.
Como funcionará o sistema SB-AMTI
Até então, a detecção de alvos móveis dependia de aeronaves e drones operando na atmosfera, mas tais plataformas enfrentam limitações frente a sistemas de negação de acesso e negação de área (A2/AD). Esses métodos são usados por potenciais adversários para impedir a entrada de forças estrangeiras em regiões específicas.
Transferir a vigilância para o espaço pretende oferecer às tropas dos EUA consciência situacional contínua, mesmo em cenários de conflito intenso. O SB-AMTI se baseia em três componentes interdependentes:
- Sensores orbitais avançados: dispositivos para identificar alvos em movimento a partir da órbita;
- Comunicação criptografada de alta velocidade: enlaces que farão a conexão direta com a recém-contratada SDN;
- Processamento em solo resistente: estações terrestres preparadas para analisar dados em tempo real e enviar relatórios aos centros de comando.
Estratégia de aquisição e “Domo de Ouro”
Para viabilizar o SB-AMTI, a USSF adotou um modelo híbrido de contratação, combinando as regras flexíveis de Outras Autoridades de Transação (OTA) com mecanismos de entrega sob demanda (ID/IQ). Apesar do investimento inicial focar na SpaceX, o projeto integra um grupo de empresas selecionadas em abril de 2026 pelo Secretário da Força Aérea, Troy Meink, durante o Space Symposium, e novos contratos devem ser distribuídos ao longo de 2026.
Imagem: Imagem ilustrativa
O desenvolvimento dessas iniciativas segue diretrizes definidas pela administração de Donald Trump e faz parte do ambicioso escudo conhecido como “Domo de Ouro”, voltado para neutralizar ameaças balísticas e hipersônicas. Segundo o Space Systems Command — responsável por um orçamento anual de US$ 15,6 bilhões —, a meta é posicionar a primeira constelação SB-AMTI em órbita até 2028, eliminando lacunas de vigilância das forças armadas americanas.
Com informações de Olhardigital