Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesca de São Paulo detectaram, em 2025, a presença da bactéria Citrobacter telavivensis em amostras de ostras vendidas em mercados de São Paulo e Santa Catarina. Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como prioridade crítica, essa espécie nunca havia sido encontrada em alimentos no país.
O que foi identificado e onde
Além de C. telavivensis, as equipes de pesquisa isolaram cepas resistentes de Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli nas mesmas amostras. Em 35% dos moluscos examinados, os níveis de arsênio ultrapassaram o limite máximo permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mesmo assim, nenhum lote foi reprovado pelos atuais sistemas de fiscalização, que não avaliam o perfil de resistência antimicrobiana.
Como as ostras acumulam microrganismos
Ostras são animais filtradores que bombeiam água continuamente para se alimentar. Nesse processo, retêm partículas, metais pesados, resíduos de medicamentos e bactérias presentes no ambiente marinho. A capacidade filtradora torna o molusco suscetível a acumular microrganismos, mas os protocolos de qualidade alimentar ainda não contemplam testes específicos para superbactérias.
Limitações da fiscalização atual
Os controles na indústria pesqueira focam em parâmetros tradicionais, como temperatura, higiene e detecção de patógenos específicos (Salmonella e Listeria), sem investigar resistência a antibióticos. Dessa forma, produtos contaminados com Staphylococcus aureus resistente à meticilina, por exemplo, podem ser liberados para consumo se atenderem aos critérios microbiológicos convencionais.
Co-seleção e ambiente propício
O estudo também destacou o fenômeno da co-seleção: a presença simultânea de poluentes e resíduos de antibióticos no mar favorece o surgimento e a multiplicação de bactérias tolerantes a diversas substâncias. Esse cenário cria um ambiente ainda mais favorável à sobrevivência de microrganismos resistentes.

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Alternativas contra biofilmes
Em pesquisa publicada em 2023 na revista Bioscience, Biotechnology, and Biochemistry, uma enzima chamada lugdulisina, produzida pela bactéria Staphylococcus lugdunensis, mostrou-se capaz de degradar biofilmes de Staphylococcus aureus resistente à meticilina em laboratório. A descoberta reforça a busca por soluções biológicas complementares aos sanitizantes químicos empregados na indústria.
Próximos passos e monitoramento
Especialistas sugerem ampliar o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos para incluir pescados e moluscos, além de revisar protocolos sanitários e investir em biotecnologia. O avanço silencioso dessas superbactérias pode representar riscos à saúde pública e impactar as exportações brasileiras de frutos do mar, diante de exigências crescentes de mercados como União Europeia e Estados Unidos.
Com informações de Olhardigital
