Uma empresa chinesa anuncia em um grupo no Telegram kits de “fazendas de celulares” capazes de simular o uso de centenas de smartphones para aumentar curtidas, visualizações e seguidores em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Telegram, Shopee, AliExpress, eBay e Amazon.
O que são fazendas de celulares?
Esses arranjos centralizam vários aparelhos Android conectados via ADB a um computador ou mini servidor. Na prática, cada box reúne até 20 placas-mãe de modelos como Galaxy J6, J7 Pro, S7, S8, S9, Note 8, Note 9, S10, Note 10, S20 e Note 20. Para otimizar espaço e reduzir custos, o vendedor oferece o equipamento sem tela e bateria, entregando uma ROM modificada que elimina apps desnecessários e ativa inicialização automática ao receber energia.
Como funciona a estrutura ofertada?
Propósito comercial e operações
No material de divulgação, a “mobile farm” é apresentada como ferramenta de “cross-border e-commerce management”. A empresa afirma que o sistema cria contas, publica produtos, executa campanhas publicitárias e gerencia interações com clientes em diferentes mercados ao mesmo tempo. Os equipamentos também simulam padrões de acesso de usuários em diversas regiões, o que, segundo os vendedores, possibilita análise de demanda local e hábitos de consumo.
Em um dos relatos compartilhados no grupo, um usuário relatou que deixar YouTube e Spotify ativos 24 horas em uma caixa com 20 aparelhos pode gerar entre US$ 250 e US$ 300 por mês, garantindo retorno em cerca de três meses. Os pagamentos são feitos em USDT via Binance ou por transferência bancária, e o acesso completo ao serviço é liberado somente a “clientes sérios” que confirmam a compra.
Presença em redes sociais e alcance global
Além do Telegram, perfis no Instagram divulgam sistemas similares sob nomes como “Matrix” ou “mobile farm factory”, afirmando que 20 dispositivos geram 20 IPs distintos, reforçando a ideia de operação distribuída e difícil de rastrear. O material promocional indica envio para países como Estados Unidos, Taiwan, Ucrânia, Mongólia, Espanha e Brasil, após solicitação via Direct ou convite a grupos de WhatsApp.
Ações repressivas e posicionamento das plataformas
Em outubro de 2025, uma operação da Europol, Letônia, Áustria e Estônia desmantelou uma rede de SIM boxes usada em fraudes e phishing, resultando na prisão de sete pessoas e na apreensão de 1.200 dispositivos com 40 mil chips ativos. No Brasil, em abril de 2026, a Justiça de São Paulo condenou o responsável pelo site Boom de Seguidores por venda de plays falsos em serviços de streaming.
Imagem: Imagem ilustrativa
A Meta declarou que a comercialização de curtidas, seguidores e visualizações artificiais viola os termos do Facebook e do Instagram. Desde 2022, a empresa move ações legais no Brasil contra prestadores de serviços de engajamento falso e emitiu notificações extrajudiciais para coibir essas práticas.
Em tempos de redes sociais, números inflados tornaram-se atalho para credibilidade, acelerando a transição entre anonimato e aparente autoridade. Likes e visualizações comprados servem para criar o efeito inicial que atrai a atenção de usuários reais, ampliando o alcance de conteúdos e impulsionando algoritmos.
Com informações de Hardware
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