Os carros voadores estão prestes a deixar a fase de protótipos e avançar para o mercado comercial, mas ainda esbarram em um dos principais desafios da indústria: a tecnologia de armazenamento de energia. Para fabricantes do setor, as baterias de estado sólido podem ser a solução capaz de tornar essas aeronaves mais seguras, eficientes e com maior autonomia, conforme reportagem do site Interesting Engineering.
O fundador e CEO da GAC Govy, Su Qingpeng, classifica a adoção desse tipo de bateria como “caminho inevitável” para o desenvolvimento dos veículos elétricos de pouso e decolagem vertical (eVTOL). Segundo ele, a combinação de elevada densidade energética e padrões de segurança mais rígidos atende melhor aos requisitos da mobilidade aérea de baixa altitude.
Estágio atual e comparação com carros elétricos
Su Qingpeng compara o estágio de maturidade dos carros voadores ao que os veículos elétricos experimentavam há cerca de dez anos, quando a adoção ainda enfrentava resistência devido ao custo e à autonomia limitada. Na avaliação do executivo, assim que o mercado atingir um ponto crítico de aceitação, a mobilidade aérea poderá evoluir até mais rápido que os elétricos convencionais.
Em paralelo ao debate sobre performance e alcance, investidores passaram a valorizar métricas concretas, como capacidade de produção, volume de entregas, rentabilidade e conformidade com certificações aeronáuticas. A GAC Govy, por exemplo, recebeu as primeiras pré-encomendas do modelo Govy AirCab em 2025 e iniciou sua produção em maio de 2026. A empresa mira concluir os testes de aeronavegabilidade e obter a Certificação de Tipo (TC) até o final deste ano.
Tecnologia e perspectiva de adoção
As baterias de estado sólido prometem oferecer maior densidade energética e minimizar riscos associados às células tradicionais, o que elevaria o tempo de voo e a segurança das operações. No setor automotivo, a adoção em massa desse tipo de bateria depende da redução de custos por meio da produção em larga escala. Já na aviação, o preço mais elevado dos veículos permite incorporar tecnologias avançadas antes que elas se tornem acessíveis aos carros de uso cotidiano.
Imagem: Imagem ilustrativa
Esse cenário indica que os eVTOLs podem ser os primeiros a receber baterias de estado sólido, enquanto o mercado automotivo segue em ritmo mais lento até que os preços caiam o suficiente para viabilizar a popularização da tecnologia.
Mesmo com esse potencial, a expansão dos carros voadores ainda deverá enfrentar longos ciclos de desenvolvimento, processos rigorosos de certificação e validações de segurança, etapas que dificultam a produção em massa e condicionam o ritmo de crescimento do segmento.
Com informações de Olhardigital