A empresa norte-americana Elea anunciou investimento de US$ 550 milhões (equivalente a R$ 2,8 bilhões) na primeira fase do projeto Rio AI City, um complexo de data centers de inteligência artificial que será construído no Parque Olímpico do Rio de Janeiro. O anúncio foi feito em 9 de junho pelo prefeito Eduardo Cavaliere durante coletiva no Web Summit Rio, considerado o maior evento de tecnologia da América do Sul.
O empreendimento prevê capacidade de geração de energia de até 3,2 gigawatts até 2032. Segundo Cavaliere, a vasta disponibilidade de água, a conexão por cabos submarinos e a oferta de mão de obra qualificada são os principais fatores que motivaram a escolha do Parque Olímpico para abrigar o campus de data centers.
Educação como alicerce para formação de profissionais
Para suprir a demanda por técnicos e engenheiros em centros de processamento de dados, a prefeitura do Rio tem ampliado investimentos em ensino voltado para STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Atualmente, 312 escolas municipais oferecem atividades de robótica, programação e lógica desde os primeiros anos do ensino fundamental. “É fundamental dominar não só matemática, mas também língua portuguesa, para elaborar bons prompts”, afirmou Cavaliere.
O prefeito destacou ainda que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) registrou avanço de 12% nos anos iniciais, conforme relatório de 2024. Para ele, esses resultados demonstram o compromisso da gestão com a qualificação de futuros profissionais do setor de tecnologia.
Crescimento do Web Summit no Rio
A coletiva contou com a participação de Paddy Cosgrave, fundador do Web Summit, que realiza edições em Lisboa, Rio de Janeiro, Doha e Vancouver. No Brasil, o evento cresce cerca de 20% ao ano desde a estreia, há quatro anos. Cosgrave afirmou que o Rio possui condições parecidas com Lisboa para atrair talentos, destacando qualidade de vida e posicionamento como porta de entrada para a América Latina. Cerca de 40 mil pessoas de mais de 100 países são esperadas nesta edição, com público formado principalmente por investidores e empreendedores de startups.
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Debate sobre o Marco Legal da IA
No painel final, o head de políticas públicas da OpenAI, Bruno Lewicki, e o advogado Ronaldo Lemos discutiram o projeto de lei 2338/2023, que estabelece o Marco Legal da Inteligência Artificial no Brasil. Lewicki citou a parceria da OpenAI com o Tribunal Superior Eleitoral no desenvolvimento do Synth ID, protocolo para identificar imagens geradas por IA. Lemos criticou a importação da legislação europeia de 2019, defendendo modelos open source e o potencial dos desenvolvedores brasileiros: “Não precisamos copiar ninguém. O Brasil tem profissionais incríveis e não deve depender exclusivamente da OpenAI.”
Com informações de Olhardigital
