Uma equipe de cientistas que utiliza o Telescópio Espacial James Webb (JWST) encontrou indícios de que os chamados “pontos vermelhos pequenos” no universo jovem são, na verdade, estrelas de buraco negro. O achado se baseia na análise detalhada do objeto GLIMPSE-17775, detectado em uma fase inicial da formação cósmica.
O que são os pontos vermelhos pequenos
- Identificados a partir de 2022, logo após o JWST começar a enviar dados;
- Presentes em grande quantidade cerca de 600 milhões de anos após o Big Bang e quase ausentes antes que o universo atingisse 2 bilhões de anos;
- Diversas hipóteses foram sugeridas, mas a mais consistente relaciona esses pontos a buracos negros supermassivos em fase de acumulação rápida;
- O desaparecimento gradual desses pontos seria consequência de explosões intensas que esgotam o gás ao redor ou da transição para galáxias ativas, quando o material denso é dispersado.
Antes desta pesquisa, faltava evidência observacional que confirmasse a natureza desses corpos. A situação mudou quando o JWST capturou imagens de GLIMPSE-17775, um objeto visto quando o universo tinha apenas 1,8 bilhão de anos, durante observações do aglomerado de lentes gravitacionais Abell S1063.
O papel das lentes gravitacionais
Abell S1063 funciona como uma lente gravitacional: sua massa curva o espaço-tempo e amplia a luz de objetos distantes. Isso permitiu que o Webb convertesse cerca de 30 horas de observação em um efeito equivalente a 80 horas, viabilizando o estudo aprofundado de GLIMPSE-17775.
Evidências de uma estrela de buraco negro
Os dados do JWST apresentaram vários sinais característicos de uma estrela de buraco negro:
- Emissões atípicas para uma simples nuvem de gás em rotação;
- Linhas espectrais associadas à dispersão de elétrons, indicando um casulo denso ao redor da fonte;
- Sinais de fluorescência e absorção de hélio;
- “Floresta de ferro”, termo adotado pela equipe para descrever as linhas de ferro observadas.
Se confirmada, essa interpretação explica por que os pontos vermelhos pequenos são quase invisíveis em raios-X: o invólucro de gás denso absorve a radiação de alta energia.
Imagem: Imagem ilustrativa
Próximos passos
A pesquisa foi publicada na revista The Astrophysical Journal.
Com informações de Olhardigital
