A União Europeia lançou em junho de 2026 uma plataforma que integra inteligência artificial e dados de satélite para melhorar a vigilância dos oceanos. Batizado de European Digital Twin Ocean (EDITO), o sistema reúne informações sobre temperatura, salinidade, correntes, ondas e aspectos biológicos do ambiente marinho, fornecendo aos pesquisadores e gestores públicos análises em alta resolução.
Como funciona o gêmeo digital
Desenvolvido em parceria pela organização francesa Mercator Ocean International e o Flanders Marine Institute, o EDITO usa modelos digitais alimentados por satélites do programa Copernicus e por medições de embarcações distribuídas globalmente. A plataforma está disponível gratuitamente pela internet e apresenta mapas interativos que mostram em tempo quase real as condições do oceano.
Segundo Alain Arnaud, diretor do programa de oceano digital da Mercator Ocean International, “é um modelo de altíssima resolução que reúne informações sobre o estado do oceano”. O sistema também permite a criação de cenários hipotéticos para avaliar, por exemplo, o impacto de mudanças na temperatura da água sobre populações de peixes ou o efeito de áreas cobertas por vegetação marinha na dinâmica de erosão costeira.
Inteligência artificial e chatbot
Além das simulações, o EDITO passou a contar com um chatbot baseado em inteligência artificial, apresentado na Digital Ocean Week em Bruxelas. A ferramenta responde a dúvidas sobre aspectos físicos e biológicos dos mares, acelerando o acesso a dados e análises por parte de cientistas, autoridades marítimas e demais interessados.
Arnaud enfatizou que o avanço rápido da IA exige constante adaptação: “ela está avançando tão rapidamente que chega a ser assustador, mas precisamos estar preparados para nos adaptar”. O uso de algoritmos avançados torna possível alterar condições iniciais nos modelos e gerar múltiplas projeções sobre o comportamento oceânico.
Integração ao plano OceanEye
Em início de junho, a Comissão Europeia incorporou o EDITO ao plano OceanEye, ampliando a participação da plataforma nas estratégias de observação marítima da UE. A expectativa é que a plataforma atinja plena operação até 2030, fortalecendo não só a pesquisa científica, mas também ações relacionadas à segurança marítima e ao uso sustentável dos recursos oceânicos.
Com informações de Olhardigital