O conselho municipal de Stockton, na Califórnia, aprovou em 9 de junho um programa que emprega drones como primeiros socorristas em emergências atendidas pelo 911. Com investimento inicial de US$ 3,15 milhões (aproximadamente R$ 16,3 milhões), a iniciativa promete reduzir o tempo de resposta para menos de um minuto.
Detalhes do contrato e ampliação
A proposta recebeu aprovação unânime, com placar de 7 a 0, e amplia o contrato já existente com a empresa Flock Safety. Além dos leitores automáticos de placas fornecidos à polícia local, a parceria agora engloba plataforma aérea, elevando o valor total acordado para US$ 5,4 milhões (cerca de R$ 28 milhões) ao longo de cinco anos.
Funcionamento do sistema
Os drones ficarão posicionados em pontos estratégicos, cobrindo mais de 75% do território da cidade. A tecnologia, conhecida nos EUA como “drone as first responder” (DFR), permite enviar imagens em tempo real aos agentes antes da chegada das viaturas. Segundo a polícia, o prazo de atendimento varia de 30 segundos a quatro minutos após o chamado.
“Isso vai realmente aprimorar o que já temos, no sentido de que conseguimos mobilizações rápidas e atualizações em tempo real para os policiais que estão no local”, afirmou o tenente David Padula durante a sessão.
Os valores em reais foram calculados com base na cotação comercial de US$ 5,18 de 11 de junho.
Reações e questionamentos
Moradores e ativistas ocuparam a tribuna por mais de uma hora para questionar o armazenamento e o compartilhamento das imagens captadas. O grupo Stockton Community Check-In Booth classificou o investimento como militarização e vigilância em massa, especialmente em um contexto de apertos financeiros para residentes.
O candidato republicano ao Congresso John McBride afirmou que o programa representa “invasão total de privacidade”, lembrando que as câmeras da Flock são privadas e, portanto, não estão sujeitas a pedidos de informação pública.
Imagem: Imagem ilustrativa
A Flock Safety, por sua vez, garante que todas as filmagens ficarão sob controle das agências locais e que cada voo será registrado em um painel público. Segundo a empresa, a polícia de Stockton terá 100% dos dados coletados.
Histórico de polêmicas
A reputação da Flock Safety já foi abalada por denúncias de compartilhamento de dados de leitores de placas com a agência de fronteiras nos estados do Colorado e Illinois, prática que a empresa afirma ter encerrado. No Texas, câmeras da companhia foram usadas para rastrear deslocamentos de uma mulher que fez aborto. Em Mountain View, na Califórnia, uma rede de leitores foi desativada após suspeitas de acessos não autorizados.
Modelo se espalha pelos EUA
Stockton junta-se a outras cidades americanas que adotaram drones em segurança pública. Chula Vista, na Califórnia, pioneira no formato, hoje compartilha operações com Fremont e Louisville, e há iniciativas ativas no Texas, Indiana e Connecticut.
Embora as autoridades defendam o sistema como forma de agilizar o socorro e aumentar a segurança dos agentes, críticos apontam que ainda não há respostas claras sobre o destino de milhares de gravações de voos sobre áreas residenciais.
Com informações de Mundoconectado


