A Meta está desenvolvendo um sistema interno para rastrear e conter o uso de tokens de inteligência artificial pelos funcionários, em meio a custos que podem atingir bilhões de dólares ainda este ano. A nova ferramenta, chamada AI Gateway, tem como objetivo oferecer dados em tempo real sobre o consumo de IA e alertar automaticamente equipes que ultrapassarem limites de uso predefinidos.
De acordo com um memorando obtido pelo site The Information, o lançamento do AI Gateway foi comunicado a cerca de 6 mil funcionários no início da semana passada. Segundo o documento, a plataforma exibirá métricas de uso e gastos de IA em tempo real e notificará as equipes sempre que houver picos incomuns de tokens consumidos.
O memorando também prevê a definição de cotas individuais de tokens para cada colaborador e a adoção de orçamentos mais rígidos até 2027, com regras claras de alocação de recursos de IA dentro da empresa. A medida faz parte de um esforço para equilibrar o rápido crescimento do uso de modelos de linguagem e os gastos associados à tecnologia.
Uso exclusivo de ferramentas proprietárias
Outra recomendação interna desencoraja o uso de soluções de IA de terceiros para desenvolvimento de código. Em vez disso, a Meta orienta os engenheiros a utilizarem o MetaCode, assistente de programação anteriormente conhecido como Devmate. A plataforma combina modelos da família Llama com soluções externas, como os sistemas da Anthropic e OpenAI.
Essa restrição reflete uma tendência também observada em outras big techs. Recentemente, a Microsoft cancelou licenças do Claude Code, da Anthropic, e passou a direcionar colaboradores para o GitHub Copilot CLI, ferramenta própria da companhia. Já a Amazon encerrou um painel interno que monitorava o consumo de IA após funcionários realizarem tarefas apenas para subir no ranking de uso.

Imagem: Ap
Pressão sobre gastos de IA
O controle de tokens ocorre em um momento em que empresas como Uber também enfrentam desafios com o orçamento de IA: a companhia teria consumido, em apenas quatro meses, todo o montante previsto para 2026, segundo o Business Insider. Ainda de acordo com a publicação, o diretor de operações da Uber, Andrew Macdonald, afirmou não ter observado ganhos proporcionais ao aumento dos gastos com tecnologia.
Amazon, Meta e Microsoft estão entre as grandes empresas que, juntas, deverão emitir cerca de US$ 570 bilhões (aproximadamente R$ 2,9 trilhões) em dívidas neste ano para financiar data centers voltados à inteligência artificial. A cobrança interna pelo uso de tokens é vista como uma forma de justificar esses investimentos e reduzir despesas excessivas.
Com informações de Tecnoblog

