Hany Farid, de 60 anos, professor da Escola de Informação da UC Berkeley e reconhecido internacionalmente por seu trabalho em forense digital, declarou não ser mais capaz de diferenciar vídeos reais de deepfakes gerados por inteligência artificial. A dúvida se tornou palpável após a circulação de um arquivo que mostrava o suposto impacto de um míssil americano em uma escola do Irã.
Impossibilidade de detecção
Para tentar comprovar a autenticidade, Farid analisou quadro a quadro o vídeo durante um dia inteiro. Ele examinou a geometria das sombras, mediu o atraso do som da explosão em relação às leis físicas e até calculou o comprimento, em pixels, do projétil. Não encontrou nenhuma inconsistência indicativa de falsificação. Outros peritos chegaram ao mesmo resultado: nenhum conseguiu confirmar se o conteúdo era autêntico ou produzido por IA. Segundo especialistas, deepfakes de grande repercussão podem alcançar viralização em menos de 20 minutos, o que inviabiliza qualquer contenção posterior.
Ataques de cibercriminosos
Em um episódio subsequente, criminosos virtuais clonaram o número de telefone de Farid e usaram IA para replicar sua voz. Eles telefonaram para um contato envolvido em um processo judicial e obtiveram informações confidenciais. Desde então, Farid e sua esposa, pesquisadora de percepção visual em Berkeley, adotaram uma palavra-código secreta no início de cada ligação familiar para confirmar a identidade do interlocutor. Em entrevista ao New York Times, Farid resumiu o cenário atual sobre deepfakes em uma frase: “estamos ferrados”.
Legado no combate a crimes
Filho de um químico que trabalhou 50 anos na Eastman Kodak, Farid colaborou em 2007 com engenheiros da Microsoft no desenvolvimento do PhotoDNA. A tecnologia extrai uma “impressão digital” única de cada foto, resistente a redimensionamentos e edições. Desde então, o PhotoDNA ajudou a identificar e denunciar mais de 30 milhões de casos anuais de abuso sexual infantil, resultando em centenas de prisões e resgates.
Diante da atual impossibilidade de distinguir vídeos reais de falsos, Farid deixou a UC Berkeley e retornou ao Dartmouth College, em New Hampshire, onde foi professor por duas décadas. Na fazenda em Vermont, onde sua família passa temporadas, ele mantém distância das telas cortando lenha e aproveitando o isolamento.
Imagem: Imagem ilustrativa
O Brasil no centro das fraudes
Segundo o Identity Fraud Report 2025–2026, da Sumsub, o Brasil concentrou 39% de todos os casos de deepfake detectados na América Latina em 2025. No mesmo período, ataques com deepfakes e identidades sintéticas cresceram 126% no país em relação a 2024. Bancos, fintechs e plataformas de apostas online estão entre os setores mais afetados.
A proliferação de tecnologias capazes de criar conteúdos falsos sem vestígios detectáveis representa um desafio crescente para a segurança digital e a credibilidade das informações divulgadas online.
Com informações de Hardware

