A Stellantis e a Factorial Energy iniciaram em junho de 2026 os testes de uma frota de Dodge Charger Daytona equipada com células de bateria de estado sólido na América do Norte. O objetivo é avaliar em condições reais o desempenho, a segurança e a confiabilidade dessa tecnologia pioneira em veículos de produção.
Quem são as empresas e qual a tecnologia usada
A parceria envolve a montadora Stellantis e a startup de baterias Factorial Energy, que desenvolveu o Factorial Electrolyte System Technology (FEST). Em vez de eletrólitos inteiramente líquidos ou em gel, o FEST emprega um eletrólito “semi-sólido”: uma matriz sólida infundida com substância líquida ou gelatinosa. Segundo a Factorial, isso traz maior estabilidade térmica, menor risco de incêndio e condutividade iônica mais eficiente.
Principais indicadores de desempenho em laboratório
Antes de rodar em vias públicas, as células FEST passaram por testes em laboratório que apontaram resultados promissores:
- Densidade energética: 375 Wh/kg, quase o dobro de muitas baterias de veículos elétricos atuais;
- Recarga ultrarrápida: de 15% a 90% em cerca de 18 minutos;
- Resistência térmica: funcionamento seguro entre -30 ºC e 45 ºC.
Desafios de integração e engenharia
Para instalar as novas células, a Stellantis projetou um sistema mecânico inédito e patenteado, compatível com o pacote de baterias original do Charger Daytona. Engenheiros das duas empresas também revisaram o design do conjunto e ajustaram os controles eletrônicos para garantir durabilidade e otimizar o rendimento no uso cotidiano.
Ned Curic, diretor de Engenharia e Tecnologia da Stellantis, ressaltou que “não basta melhorar apenas uma métrica; é essencial entregar ganhos reais em um veículo de produção”. O executivo afirma que a tecnologia pode oferecer “mais autonomia, carga mais rápida e custos menores”.
Cenário global e perspectivas
Além da Stellantis, outras montadoras como BMW, Mercedes-Benz, Honda e MG também buscam viabilizar carros elétricos com baterias de estado sólido. Até o momento, apenas motocicletas de baixo porte, como as da estoniana Verge, contam com esse tipo de bateria em produção em série.
Imagem: Imagem ilustrativa
A própria Factorial estima que uma bateria sólida poderia reduzir o peso do conjunto para cerca de 256 kg, ante os 624,5 kg de uma bateria tradicional, sem necessidade de reforços estruturais extras.
Siyu Huang, CEO da Factorial Energy, destacou que a cooperação com a Stellantis “valida a tecnologia FEST e estabelece um novo patamar para baterias de estado sólido em automóveis”. Embora a adoção massiva ainda leve alguns anos, o início dos testes em estrada sinaliza que essa inovação está prestes a sair do laboratório para as ruas.
Com informações de Olhardigital
