Uma revisão conduzida por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) aponta falta de evidências consistentes para classificar a creatina como suplemento anti-inflamatório em humanos. O estudo, com apoio da FAPESP, reuniu oito ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo para verificar se a ingestão de creatina altera marcadores de inflamação.
Metodologia e análise dos dados
Os cientistas da Unesp avaliaram protocolos clínicos nos quais participantes receberam suplementação de creatina ou placebo, comparando indicadores como a proteína C reativa (PCR) e outros biomarcadores inflamatórios. A média de redução da PCR entre os grupos foi de apenas 0,41 mg/dL, valor considerado sem relevância clínica. Além desse marcador, outros sinais de inflamação também não apresentaram diferenças significativas.
Resultados gerais
Segundo a revisão, estudos realizados em animais e em culturas celulares sugeriram efeitos anti-inflamatórios, mas esses resultados não se confirmaram de forma consistente em seres humanos. A crítica principal dos autores é que os achados da pesquisa básica nem sempre se traduzem em benefícios clínicos, exigindo cautela antes de disseminar conclusões para populações gerais.
Casos específicos com resultados positivos
Apesar dos achados gerais, alguns trabalhos focados em atletas submetidos a exercícios intensos e prolongados indicaram redução de marcadores inflamatórios e possível proteção contra danos musculares agudos. Entretanto, esses efeitos não foram observados em idosos ou em pacientes com osteoartrite, nos quais a creatina não mostrou impacto relevante sobre a inflamação.
Segurança e recomendações
O estudo reforça que a creatina continua sendo bem tolerada, mesmo em protocolos com doses elevadas e variados perfis de usuários. Os benefícios já estabelecidos para desempenho físico e aumento de força muscular não foram questionados. Pesquisadores recomendam que interessados em iniciar a suplementação busquem orientação profissional para avaliar necessidades individuais e evitar uso inadequado.
Imagem: Imagem ilustrativa
Os autores esperam que a revisão estimule novas pesquisas sobre os efeitos da creatina, especialmente em diferentes populações e condições clínicas. Enquanto isso, a credibilidade do suplemento em relação à redução de inflamação em humanos permanece em aberto.
Com informações de Olhardigital