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Implante cerebral experimental devolve fala a paciente com ELA

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Um implante cerebral experimental devolveu a comunicação falada a Casey Harrell, de 47 anos, que convive com estágio avançado de esclerose lateral amiotrófica (ELA). Há quase dois anos, ele utiliza uma interface cérebro-computador para transformar padrões de atividade cerebral em texto e, em seguida, em voz sintética semelhante à sua entonação original.

Desde o início do uso do dispositivo, Harrell já gerou mais de 183 mil frases e aproximadamente 2 milhões de palavras. “É muito especial ter a capacidade de olhar nos olhos da minha esposa quando ela ouve minha voz”, declarou ele por meio do equipamento, acrescentando que reconforta sua família e ajuda a filha, que não se recorda de sua voz antes da progressão da doença.

Como funciona o sistema

O procedimento envolve a implantação de um conjunto de eletrodos em uma região específica do córtex cerebral. Sem fazer movimentos na boca, o usuário “imagina” o ato de falar e os sensores captam esses sinais. Um algoritmo externo processa os padrões neurais e converte-os em texto exibido em tempo real na tela de um computador.

Para navegar na interface, Harrell direciona o olhar a um cursor circular branco e executa comandos por meio do foco ocular. Esses “cliques” mentais permitem que ele escreva mensagens, envie e-mails e acesse páginas na internet sem intervenção manual. O sistema fica montado em um carrinho móvel, que o acompanha durante o dia após ser conectado por um cuidador.

Desempenho e resultados

Após mais de 400 dias de prática, a velocidade média de comunicação alcança cerca de 56 palavras por minuto, desempenho superior ao registrado no início do ensaio, em 2023. Estudos indicam precisão de 92% na conversão de sinais cerebrais em linguagem compreensível, valor considerado “majoritariamente correto” pelos próprios pesquisadores.

“Casey pode usar o sistema para comunicar seus próprios pensamentos sempre que desejar, não apenas em ambientes de laboratório”, afirmou Nicholas Card, pesquisador do Laboratório de Neuropróteses da Universidade da Califórnia, Davis (UC Davis). Em algumas ocasiões, ele operou a interface por mais de 12 horas seguidas.

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Imagem: Imagem ilustrativa

Estudo clínico e perspectivas

Harrell participa do piloto BrainGate 2, liderado pela UC Davis em parceria com a Universidade Brown e o Mass General Brigham Neuroscience Institute. O ensaio clínico, que inclui 26 voluntários com paralisia e comprometimento severo da fala, avalia a segurança e a viabilidade da tecnologia.

Segundo os coordenadores, os próximos resultados devem auxiliar na adaptação da interface para futuros usuários com limitações graves de fala e movimento, indicando um avanço significativo na aplicação de neuropróteses fora de ambientes altamente controlados.

Com informações de Olhardigital

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Robson Lemes

Robson Lemes é especialista em tecnologia e criador de conteúdo focado em inovação, robótica e inteligência artificial. Como editor do Tecnologia Top, é responsável por trazer análises diárias e notícias de última hora sobre o mundo digital, sempre prezando pela precisão técnica e pelas diretrizes de transparência do jornalismo tecnológico.

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