Um estudo publicado em 17 de junho de 2026 na revista Nature Cell Biology revelou que a riboflavina, conhecida como vitamina B2, desempenha papel crucial na proteção de células cancerígenas contra a ferroptose, forma de morte celular provocada por danos oxidativos nas membranas lipídicas. A pesquisa foi liderada por cientistas do Centro Rudolf Virchow de Bioimagem Integrativa e Translacional, na Universidade de Würzburg, na Alemanha, incluindo o biólogo brasileiro José Pedro Friedmann Angeli.
Relação entre riboflavina e reparo de lipídios
De acordo com o grupo, as células dependem de uma enzima antioxidante associada às membranas, a FSP1, para reciclar moléculas protetoras contra radicais livres. Os experimentos demonstraram que essa proteína precisa de riboflavina como cofator para manter seu funcionamento. Na ausência de vitamina B2 suficiente, a FSP1 não consegue regenerar os antioxidantes e as células ficam mais suscetíveis à ferroptose.
Em laboratório, a equipe usou a roseoflavina, análogo químico da riboflavina, para comprovar o mecanismo: a molécula ocupa o lugar da vitamina B2 nos transportadores celulares, mas não sustenta a transferência de elétrons necessária à atividade da FSP1, comprometendo a defesa contra a oxidação lipídica.
Implicações para terapias contra o câncer
Os resultados sugerem que inibir o metabolismo ou a entrada de riboflavina nas células tumorais pode tornar essas células mais vulneráveis à ferroptose. “Quando bloqueamos o suprimento de vitamina B2, observamos aumento na morte celular por ferroptose em diversos modelos experimentais”, afirmou Angeli em entrevista ao Olhar Digital.
Atualmente, o grupo trabalha na identificação de inibidores dos transportadores de riboflavina, buscando moléculas com potencial farmacológico para testes em animais. O objetivo é avaliar se essa abordagem reduz o crescimento de tumores que dependem fortemente da FSP1 para sobreviver.
Ferroptose como alvo terapêutico
A ferroptose ganhou destaque nas últimas pesquisas de câncer porque diferentes tumores resistentes a quimioterapias convencionais apresentam sensibilidade a esse tipo de morte celular. Estudos anteriores já haviam apontado que células em transição epitélio-mesenquimal, responsáveis por recidivas, ficam mais suscetíveis à ferroptose. Assim, combinar tratamentos tradicionais com agentes que induzam esse processo pode melhorar a eficácia contra células remanescentes.

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Apesar dos avanços, Angeli reforça que as descobertas ainda se limitam a ensaios pré-clínicos. “Não há razão para alterar a ingestão de vitamina B2 na dieta; nossos achados visam orientar o desenvolvimento de terapias futuras, não mudanças nutricionais”, destacou.
Os pesquisadores pretendem agora aprofundar o entendimento dos mecanismos de dano e reparo de lipídios em diferentes organelas celulares e validar a estratégia de bloqueio da riboflavina em variados tipos de câncer, antes de avançar para estudos clínicos.
Com informações de Olhardigital
