Dispositivos como smartwatches e pulseiras de monitoramento podem, surpreendentemente, indicar frequência cardíaca em frutas. O fenômeno se explica pela tecnologia de fotopletismografia (PPG), método óptico usado para detectar variações no fluxo sanguíneo por meio da emissão e captura de luz.
Como funciona a fotopletismografia
A fotopletismografia é uma técnica não invasiva que emite luz sobre a superfície do corpo, observando a quantidade refletida ou absorvida. Em seres humanos, a variação no volume de sangue nos capilares, que ocorre a cada batida do coração, altera esses parâmetros de luz, permitindo que o sensor calcule o pulso e estime a frequência cardíaca. Além de smartwatches, a PPG é aplicada em oxímetros de pulso, equipamentos comuns em hospitais e clínicas.
Testes com frutas e leituras obtidas
Quando o sensor permanece ativo em contato com uma fruta, o algoritmo do dispositivo continua em busca de sinais de pulso. Assim, mudanças aleatórias na refletância e absorção da luz, provocadas por pequenas vibrações ou imperfeições na superfície, podem ser interpretadas como batimentos cardíacos. Em experimento citado pelo site IFLScience, o editor Dr. Alfredo Carpineti colocou um relógio inteligente em uma banana e registrou 85 batimentos por minuto. Em seguida, a editora Laura Simmons aplicou o aparelho em uma nectarina e um abacate, obtendo cerca de 70 bpm em ambos os casos, enquanto um kiwi apresentou 110 bpm. Um tomate, no entanto, não gerou nenhuma leitura.
Frutas não têm pulso real
Apesar dos valores indicados pelos dispositivos, frutas não possuem coração nem sistema circulatório que gere pulsação. O registro de frequência cardíaca nessas situações se deve exclusivamente às variações ópticas coletadas pelo sensor, que interpreta as flutuações de luz como sinal de batimento. Além de frutas, outros objetos inanimados podem gerar leituras semelhantes, dependendo das condições de luz, textura e posicionamento do smartwatch.

Imagem: Ap
O fenômeno ilustra a sensibilidade e os limites dos sensores ópticos em dispositivos de saúde vestíveis, reforçando a importância de contextualizar as medições para evitar conclusões equivocadas.
Com informações de Olhardigital
