A Micron, antes associada a cartões de memória para PCs e smartphones, transformou-se em um dos principais fornecedores de chips para servidores de inteligência artificial. A empresa ganhou destaque ao atender à demanda crescente por módulos de DRAM, NAND e HBM (High Bandwidth Memory), tornando-se comparada pela imprensa especializada à “próxima Nvidia” do Vale do Silício.
Origem da transformação
O avanço de projetos de IA impulsionou a procura por servidores com alta capacidade de processamento e, consequentemente, grande volume de memória. Cada máquina destinada a treinar ou executar modelos avançados requer dezenas de vezes mais memória que um notebook comum. Para suprir esse mercado, empresas como Nvidia, Microsoft, Amazon, Google e Meta passaram a adquirir lotes volumosos desses chips.
Com preços em alta e riscos de desabastecimento, fabricantes de hardware — incluindo Dell e HP — optaram por estocar antecipadamente os módulos, reduzindo ainda mais a oferta disponível para o consumidor final. O fenômeno, apelidado de “RAMageddon”, deve se estender até meados de 2027 e já reflete em aumentos de preço em consoles como o Xbox e em dispositivos da Apple.
Desempenho financeiro recorde
No terceiro trimestre fiscal, a Micron registrou receita de US$ 41,45 bilhões, um crescimento de 300% na comparação anual, enquanto o lucro líquido saltou de US$ 1,88 bilhão para US$ 28,2 bilhões. Esse resultado expressivo fez as ações da companhia dispararem 236% em apenas um mês, alcançando US$ 1.132 por papel.
O forte desempenho elevou o valor de mercado para cerca de US$ 1,27 trilhão, permitindo que a Micron ultrapassasse temporariamente gigantes como Meta e Tesla em valor de capitalização.

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Desafios e estratégias de longo prazo
O setor de memórias é tradicionalmente cíclico: após um período de escassez, a ampliação da capacidade produtiva pode gerar excesso de estoque e queda nos preços. Para suavizar essas oscilações, a Micron assinou 16 acordos de fornecimento de longo prazo com clientes como Nvidia e o laboratório Anthropic.
Esses contratos visam garantir receita estável mesmo se a demanda por aplicações de IA desacelerar. Agora, a empresa enfrenta o desafio de equilibrar sua capacidade produtiva com as flutuações do mercado, mantendo-se competitiva e preparada para as próximas fases do setor.
Com informações de Olhardigital


