O Google enviou alertas de terremoto para 11,4 milhões de usuários de smartphones Android na Venezuela pouco antes dos abalos sísmicos que deixaram mais de mil mortos no país. A ferramenta aproveita o acelerômetro presente nos dispositivos para detectar as vibrações iniciais e avisar a população antes da chegada das ondas secundárias, mais lentas e destrutivas.
Como funciona o sistema de alerta
Integrado ao Android, o mecanismo de alerta aproveita um sensor já instalado nos celulares: o acelerômetro. Normalmente utilizado para orientar a tela do aparelho, esse componente também reconhece padrões de movimento característicos de tremores quando o dispositivo está posicionado de forma estável sobre uma superfície plana. Movimentado no bolso ou em movimento, o sensor não identifica o abalo.
Assim que vários dispositivos próximos registram o mesmo padrão de vibração, as informações são enviadas ao Google, que cruzas os dados para estimar o epicentro e a magnitude do tremor. Em seguida, mensagens são disparadas automaticamente para as regiões com maior risco.
Resposta rápida em poucos segundos
Na sequência de dois terremotos ocorridos em meados de 2026, o primeiro abalo teve magnitude 7,2 e, 39 segundos depois, aconteceu outro, de magnitude 7,5 — o maior registrado no país desde 1900. O Google detectou o evento inicial apenas três segundos após a chegada da primeira onda sísmica e levou mais seis segundos para confirmar e enviar os alertas.
Embora o intervalo total de nove segundos seja curto, ele permitiu que parte da população recebesse a notificação antes do impacto da segunda onda, que é mais lenta e costuma causar danos mais graves.

Imagem: Ap
Alcance e tipos de alerta
As mensagens variaram de acordo com a intensidade prevista para cada localidade. Nas áreas de maior risco, a notificação ocupava toda a tela do celular, emitia um som de emergência e trazia orientações imediatas de segurança. No total, 1,4 milhão de usuários receberam o alerta máximo; considerando todos os níveis de aviso, 11,4 milhões de pessoas foram notificadas.
Quem estava mais distante do epicentro chegou a receber o alerta com até dois minutos de antecedência. Segundo o Google, o serviço já identificou mais de 18 mil terremotos e enviou cerca de 790 milhões de alertas em mais de 100 países. Na Venezuela, o recurso acabou suprindo a ausência de um sistema nacional de alerta antecipado.
Com informações de Olhardigital



