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Brasil identifica mecanismo inédito de fossilização em pterossauro de 113 milhões de anos

Pterossauro

Um estudo publicado em junho de 2026 na revista iScience revelou um processo de fossilização até então desconhecido que manteve intacta a estrutura tridimensional de um pterossauro e preservou biomoléculas frágeis, como esteroides. O exemplar foi encontrado na Formação Romualdo, na Bacia do Araripe (CE), e data de aproximadamente 113 milhões de anos.

Quem: pesquisadores brasileiros e estrangeiros liderados por Renan Bantim, doutor em Geociências pela Universidade Federal de Pernambuco, pesquisador na Universidade Regional do Cariri e curador associado do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens.

O quê: identificação de um mecanismo de fossilização em que bactérias oxidantes de enxofre promoveram encapsulamento dos tecidos antes de sua degradação completa.

Quando: o fóssil foi escavado em 2012, exposto por anos no Museu de Paleontologia de Santana do Cariri e submetido a novas análises a partir de 2023.

Onde: Formação Romualdo, Bacia do Araripe, que abrange Ceará, Pernambuco e Piauí.

Como: uso de técnicas como microtomografia, microscopia eletrônica, geoquímica isotópica e espectrometria de massa em pequenas amostras do osso do pterossauro.

Por quê: para entender a formação de fósseis com detalhes anatômicos e moleculares raros, ampliando o conhecimento sobre preservação em ambientes fossilíferos.

Espécime e conservação

O fóssil estudado pertence a um pterossauro da família Anhangueridae, grupo de répteis alados distinto dos dinossauros. Escavado em 2012 com financiamento do CNPq, o fragmento de asa integrou o acervo do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri antes de se submeter às análises internacionais.

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Imagem: Imagem ilustrativa

Os resultados mostraram que, em vez de acelerar a decomposição, bactérias oxidantes de enxofre modificaram o ambiente químico ao redor do cadáver, desencadeando mineralizações em fósforo e, em seguida, múltiplas camadas de carbonato. Esse processo formou uma espécie de cápsula protetora que preservou tanto a morfologia tridimensional quanto os vestígios de biomoléculas.

Relevância da Bacia do Araripe

Considerada um dos sítios paleontológicos mais importantes do mundo, a Bacia do Araripe abriga diversas formações fossilíferas. A Formação Crato é notória pela preservação em duas dimensões de insetos, peixes e plantas, enquanto a Romualdo destaca-se pela qualidade tridimensional de répteis marinhos e alados.

Até as décadas de 1980 e 1990, muitos fósseis do Araripe eram levados ao exterior para pesquisa. Hoje, o cenário mudou: as amostras permanecem em museus brasileiros e a análise sofisticada ocorre em parceria com laboratórios internacionais, garantindo que o conhecimento seja produzido de forma colaborativa e equilibrada.

Com a nova descoberta, o Brasil reforça seu protagonismo na paleontologia mundial e evidencia a importância de investimentos em infraestrutura científica e laboratórios de ponta para aproveitar todo o potencial do seu patrimônio fossilífero.

Com informações de Olhardigital

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Robson Lemes

Robson Lemes é especialista em tecnologia e criador de conteúdo focado em inovação, robótica e inteligência artificial. Como editor do Tecnologia Top, é responsável por trazer análises diárias e notícias de última hora sobre o mundo digital, sempre prezando pela precisão técnica e pelas diretrizes de transparência do jornalismo tecnológico.

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