Em entrevista recente à rede de notícias americana CNBC, o CEO da fabricante de soluções de memória Micron Technology, Sanjay Mehrotra, atribuiu a atual crise global de abastecimento de chips de memória à estratégia de pressão por preços baixos aplicada por grandes clientes, como a Apple.
Segundo Mehrotra, nos últimos anos, algumas empresas de eletrônicos exigiram descontos agressivos na compra de módulos DRAM e NAND, reduzindo drasticamente as margens das fabricantes. “Certos clientes empurraram os preços significativamente para baixo em nossa indústria. Em 2023, eles ficaram em apenas um terço do valor anterior”, afirmou o executivo.
Como consequência, os investimentos do setor em novas fábricas e em ampliação de linhas de produção foram postergados ou cancelados. Esse contexto limitou a capacidade de expansão da oferta de memórias bem no momento em que o mercado global passou a enfrentar uma explosão de demanda.
O crescimento vertiginoso da inteligência artificial em data centers pressionou ainda mais a procura por chips de memória de alta densidade. Grandes operadores de nuvem e centros de processamento intensivo de dados passaram a requisitar quantidades elevadas de componentes, mas encontram a oferta restrita devido ao longo ciclo de construção de novas instalações, apontou Mehrotra.
O CEO da Micron observou que a retomada da capacidade produtiva não é imediata, pois a implantação de unidades com tecnologia de ponta demanda vários anos de planejamento e alto investimento em pesquisa e infraestrutura. Por esse motivo, muitos analistas projetam a continuidade da escassez até 2027.
A Micron é uma das líderes mundiais na fabricação de memórias DRAM e NAND, segmentos essenciais para smartphones, computadores pessoais e servidores empresariais. As decisões de grandes clientes sobre preços afetam diretamente a rentabilidade e a capacidade de reinvestimento da companhia.
Além de mencionar a Apple, Mehrotra também fez menção a outros grandes compradores do mercado, sem identificá-los nominalmente. A redução de receitas em escala global limitou a possibilidade de as fabricantes acompanharem o ritmo de inovação exigido pelos segmentos de tecnologia de ponta, ressaltou o executivo.

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Especialistas de bancos de investimento e consultorias do setor corroboram o ponto de vista, alertando que a combinação de baixo retorno financeiro e alta complexidade na transição para chips de memória de última geração cria um ambiente de oferta restrita por mais alguns anos.
Mesmo com sinais de recuperação reduzida nos valores, Mehrotra destacou que a indústria ainda não viu um aumento consistente nos preços. A discrepância entre oferta e demanda continua presente, elevando o risco de atrasos na entrega de componentes para diversos setores da economia digital.
O impacto dessa crise deve se refletir não apenas em aumentos de preço no varejo de eletrônicos, mas também em atrasos na entrega de servidores e equipamentos industriais que dependem de memória de alto desempenho.
Com informações de Tudocelular
