Dados divulgados em 1º de julho pelo Serviço de Mudanças Climáticas do programa europeu Copernicus mostram que, em junho, a temperatura média da superfície dos oceanos atingiu um novo patamar inédito. O aquecimento global, aliado ao fortalecimento do fenômeno El Niño no Pacífico, eleva riscos de eventos climáticos extremos, aumento do nível do mar e impactos em ecossistemas marinhos.
Recorde global de temperatura
O destaque do relatório é o registro de 20,86 °C para a média da superfície oceânica em 21 de junho, superando o recorde anterior de 20,83 °C, observado em 2023 e repetido no mesmo mês de 2024. Uma análise independente do Copernicus Marine Service confirmou valores próximos, de 21,0 °C. Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas do Copernicus no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), alerta que “as condições atuais podem indicar o início de uma nova fase, levando, mais uma vez, a um território desconhecido”.
Aquecimento desigual
Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), o aumento de temperatura não ocorreu de forma homogênea. Em 29 de junho, satélites identificaram elevações de até 8 °C acima da média histórica (1990–2020) no Mar Mediterrâneo. Outras áreas com aquecimento superior à média incluem o Mar Báltico, faixas específicas do Oceano Pacífico e zonas costeiras do norte do Canadá.
Impactos e previsões
O Copernicus destaca que oceanos mais quentes mantêm a atmosfera aquecida por mais tempo, fornecendo energia extra para tempestades e intensificando a evaporação. Esse processo aumenta o potencial para chuvas extremas e enchentes. Além disso, o aquecimento contribui para a elevação do nível do mar, acelera o derretimento de geleiras e gera estresse em habitats marinhos.
Com o El Niño se fortalecendo no Pacífico, é esperado que novas marcas de temperatura sejam quebradas nos próximos meses. Os cientistas do Copernicus ressaltam a necessidade de monitoramento contínuo para determinar se esses picos representam apenas um episódio temporário ou apontam para uma tendência de longo prazo no aquecimento global.

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Os resultados reforçam preocupações sobre os impactos socioambientais do aumento das temperaturas oceânicas e destacam a urgência de ações coordenadas em nível internacional para mitigar efeitos climáticos adversos.
Com informações de Olhardigital


