Evidências em rochas australianas
Pesquisadores analisaram núcleos de argilito coletados a centenas de metros abaixo da superfície em Darwin, na Austrália, guardados pelo Serviço Geológico do Território do Norte. No estudo publicado na revista Nature, equipes da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB) e da Universidade de Sydney identificaram fósseis microscópicos de eucariotos com idades entre 1,4 e 1,75 bilhão de anos — os mais antigos já descritos.
Para chegar a esse resultado, os cientistas trituraram e dissolveram as amostras de rocha, separando os resíduos orgânicos. Em seguida, examinaram mais de 12 mil vestígios microbianos ao microscópio e mapearam os minerais indicativos de oxigênio nas camadas onde foram encontrados.
Relação entre eucariotos e oxigênio
Os resultados mostram de forma inequívoca que os fósseis de eucariotos aparecem apenas em sedimentos depositados em ambientes oxigenados. Já as camadas formadas em zonas anóxicas continham exclusivamente organismos procariontes simples, como bactérias e arqueias. “Fósseis de eucariotos foram detectados em contextos que variam de planícies de lama costeira a águas de mar aberto, mas sempre em locais com oxigênio”, afirmam Maxwell Lechte (Universidade de Sydney) e Leigh Anne Riedman (UCSB).
Até então, o baixo teor de oxigênio na Terra primitiva — inferior a 1% dos níveis atuais mesmo após o Grande Evento de Oxidação há 2,5 bilhões de anos — levava alguns a sugerirem que os primeiros eucariotos pudessem ser anaeróbicos. A nova pesquisa derruba essa hipótese: todas as evidências apontam para a necessidade de gás para a sobrevivência dessas células complexas.
Implicações para a evolução da vida complexa
O estudo também ajuda a explicar por que, durante mais de 900 milhões de anos, a diversidade de eucariotos permaneceu limitada. Confinados a nichos com oxigênio em níveis baixos, esses organismos não se expandiram até que, por volta de 800 milhões de anos atrás, extinções em massa e o aumento na produção de oxigênio por cianobactérias abriram espaço para a radiação de formas mais variadas.
Imagem: Imagem ilustrativa
Ainda que esses fósseis representem a complexidade já alcançada há 1,75 bilhão de anos, a diversidade observada sugere uma origem ainda mais antiga para os eucariotos, cujo registro inicial ainda aguarda descobertas.
Com informações de Olhardigital


