Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia anunciaram uma tecnologia de edição genética, chamada fPE7max, capaz de despertar genes inativos em fungos filamentosos e, assim, identificar substâncias com efeito antitumoral. O trabalho foi publicado em 30 de junho na revista Nature Biotechnology.
fPE7max ativa genes silentes em fungos
A nova abordagem é uma adaptação da prime editing, desenvolvida especificamente para fungos filamentosos, com aprimoramento na exatidão das modificações de DNA. Segundo o estudo, a maior parte dos genes que codificam compostos bioativos permanece adormecida quando esses organismos são cultivados em laboratório, o que limita a exploração de sua diversidade química.
Durante o desenvolvimento da fPE7max, os cientistas enfrentaram dois obstáculos principais: a instabilidade do RNA guia, que se degrada em edições mais extensas, e a tendência do sistema de reparo celular dos fungos a corrigir as alterações introduzidas. Para superar essas barreiras, a equipe combinou uma proteína protetora de fungos chamada fLa com um mecanismo que reduz temporariamente a atividade do reparo genético, elevando a eficiência e a precisão do método.
Com a técnica estabilizada, os pesquisadores focalizaram o gene regulador laeA, responsável por coordenar redes de biossíntese química nos fungos. A ativação desse gene liberou a expressão de vias bioquímicas antes silenciosas, permitindo a identificação de 18 moléculas distintas. Dessas, oito nunca haviam sido descritas pela ciência e três demonstraram ação seletiva contra células de câncer de mama, fígado e leucemia. Outras substâncias pertencem ao grupo das piranonigrinas.
Historicamente, fungos como o gênero Penicillium já forneceram medicamentos importantes, incluindo antibióticos e remédios para redução do colesterol. No entanto, grande parte da riqueza química desse reino permanece inexplorada. Ao revelar compostos inéditos com atividade anticâncer, a fPE7max pode acelerar a descoberta de novas drogas e preencher lacunas em terapias oncológicas.

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Os resultados indicam que o potencial farmacêutico dos fungos é ainda maior do que se supunha e que estratégias avançadas de edição genética podem abrir caminho para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra tumores humanos.
Com informações de Olhardigital


