A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em 25 de maio de 2026, o uso do medicamento Vyalev para pacientes com doença de Parkinson em estágio avançado que não apresentam mais resposta satisfatória aos comprimidos tradicionais. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União.
Desenvolvido pela farmacêutica AbbVie, o Vyalev oferece infusão subcutânea contínua de levodopa ao longo de 24 horas. O propósito da terapia é manter níveis mais estáveis de medicamento no organismo e atenuar as variações motoras que prejudicam a qualidade de vida dos pacientes.
Em fases avançadas do Parkinson, os pacientes alternam entre períodos “on”, quando os sintomas ficam sob controle, e momentos “off”, caracterizados pelo retorno intenso de tremores, rigidez e dificuldades de mobilidade assim que o efeito dos remédios orais cessa.
Resultados do estudo de fase 3
O deferimento da Anvisa considerou os achados de um ensaio clínico de fase 3, conduzido com 130 pacientes ao longo de 12 semanas. De acordo com a AbbVie, a pesquisa avaliou a extensão dos períodos sem sintomas incapacitantes e a segurança do protocolo de infusão.
Os dados revelaram que o grupo tratado com Vyalev ganhou, em média, 2,72 horas adicionais de tempo “on” sem desenvolver discinesias problemáticas, número superior às 0,97 hora observadas no grupo de controle. Entre os eventos adversos mais frequentes estão reações no local da infusão, movimentos involuntários e alucinações, na maioria leves ou moderados.
Alternativa à cirurgia invasiva
O novo tratamento também se coloca como opção para pacientes que não podem ou não desejam passar pela estimulação cerebral profunda, procedimento cirúrgico indicado em fases graves da doença. Segundo a AbbVie, até 60% dos portadores têm contraindicações para cirurgia devido a demência, instabilidade postural ou alterações severas de marcha, e cerca de 45% recusam o procedimento por considerá-lo muito invasivo.
Imagem: Imagem ilustrativa
“Na fase avançada da doença, a infusão contínua se apresenta como uma alternativa essencial para pacientes que já não respondem às terapias orais ou não são candidatos à cirurgia de estimulação cerebral profunda”, afirma o neurologista Rubens Cury, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
A condição é provocada pela degeneração progressiva de células produtoras de dopamina na região cerebral chamada substância negra, resultando em sintomas como tremores, rigidez, bradicinesia e instabilidade postural.
A doença de Parkinson é a segunda condição neurodegenerativa mais frequente no mundo e atinge cerca de 220 mil pessoas no Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde.
Com informações de Olhardigital

