No dia 03/08/2026, o cometa 10P/Tempel 2 atingirá sua aproximação mais favorável à Terra em pelo menos quatro décadas. Com diâmetro estimado em cerca de dez quilômetros — tamanho semelhante ao asteroide que provocou a extinção dos dinossauros —, o corpo celeste poderá ser visto com binóculos ou telescópios de pequeno porte.
No momento de maior proximidade, o cometa estará a 0,4144 unidades astronômicas do nosso planeta, algo em torno de 62 milhões de quilômetros. A unidade astronômica (AU) corresponde à distância média entre a Terra e o Sol, de aproximadamente 150 milhões de quilômetros.
Da descoberta à determinação orbital
O 10P/Tempel 2 foi identificado em 4 de julho de 1873 pelo astrônomo alemão Wilhelm Tempel, que o avistou inicialmente na constelação de Peixes. Acompanhado até outubro daquele ano, o objeto só voltou a ser observado em 19 de julho de 1878, quando retornou pela primeira vez desde a descoberta. Com base nesses registros, o período orbital foi inicialmente estimado em 5,16 anos; hoje se sabe que gira em torno do Sol a cada 5,37 anos.
A trajetória do cometa se estende de pouco dentro da órbita de Marte até próxima à órbita de Júpiter, e suas passagens regulares tornam-no alvo frequente de estudos. No entanto, o alinhamento entre Terra, cometa e Sol alterna geometrias que nem sempre favorecem a visibilidade, tornando algumas aparições mais desafiadoras para observadores amadores e profissionais.
Interesse científico e propostas de missão
Ao longo das décadas, pesquisadores perceberam que o 10P/Tempel 2 desacelerou sua rotação em virtude do outgassing assimétrico — fenômeno em que o aquecimento solar faz com que gelo e gás sejam liberados de forma irregular. Essa mudança no ritmo de giro despertou interesse para sondas espaciais, mas até hoje nenhuma missão foi finalmente lançada para investigar o cometa de perto.
Entre os conceitos estudados esteve a proposta de reaproveitar a sonda Mariner 3 da NASA. Apesar da viabilidade teórica, o plano não saiu do papel e segue sem data para execução.

Imagem: Imagem ilustrativa
Como e onde observar
Desde o início de julho de 2026, o 10P/Tempel 2 pode ser acompanhado na constelação de Capricórnio com auxílio de binóculos ou telescópio amador. A melhor fase para observar será próxima ao periélio — ponto de máxima aproximação ao Sol —, quando seu brilho tende a atingir magnitude 7 enquanto cruza a vizinhança de Piscis Austrinus.
Observadores de ambos os hemisférios poderão localizar o cometa, mas o objeto ficará mais alto no céu para quem acompanha do Hemisfério Sul. A passagem de agosto promete ser uma das mais favoráveis desde a década de 1980.
A oportunidade de testemunhar o 10P/Tempel 2 em condições ideais renova o interesse de entusiastas e cientistas em acompanhar cada detalhe desse visitante periódico.
Com informações de Olhardigital


