Após a Sony confirmar que encerrará a fabricação de discos para novos jogos de PlayStation em janeiro de 2028, uma onda de usuários tomou redes sociais como Reddit, X e Instagram para expor suas coleções de mídias físicas. As publicações, que incluem fotos de prateleiras repletas de jogos, CDs, DVDs e Blu-Ray, são descritas pelos próprios colecionadores como uma forma de ressaltar o valor de ter o produto tangível.
Para muitos entusiastas, possuir o disco vai além de ter acesso ao conteúdo: permite emprestar títulos a amigos, revender exemplares e continuar jogando mesmo após eventual desligamento de servidores online. A preservação histórica e a autonomia do usuário são apontadas como vantagens centrais da mídia física.
Em postagens recentes, perfis como @DokiDokiDegen e @FrizzyEZ no X compartilharam imagens de suas estantes, enquanto membros do subreddit r/gamecollecting exibiram seus almanaques de jogos, muitos com comentários de desaprovação à decisão da Sony. Hashtags como #PhysicalMediaForever e #NoDiscNoBuy se espalharam entre as publicações, reforçando a mobilização dos 20% de jogadores que ainda preferem o formato físico.
Mídia física como argumento de marketing em 2013
O protesto dos colecionadores também reacendeu lembranças de um vídeo de 2013, exibido pela Sony durante a E3 daquele ano. Na ocasião, a empresa explorou as restrições de compartilhamento do Xbox One para demonstrar, de forma bem-humorada, como era simples emprestar um jogo de PlayStation 4: bastava entregar o disco ao amigo. A ação viralizou e consolidou a ideia de que o formato físico oferecia liberdade para trocar, vender ou ceder títulos a qualquer momento.
Trezes anos depois, a mudança de posição da própria Sony surpreende a comunidade e motiva questionamentos sobre o futuro do mercado secundário, a disputa por preços e o controle das plataformas sobre a distribuição de jogos.

Imagem: Imagem ilustrativa
Segundo o analista Rhys Elliott, diretor de pesquisa da consultoria Alinea Analytics, a transição para um universo totalmente digital implica não apenas a troca de formato, mas também um aumento significativo no poder de controle das fabricantes. Sem discos físicos, desaparecem mecanismos como a revenda e o empréstimo, concentrando todas as transações na loja oficial e ampliando a margem de lucro e o domínio sobre preços e receitas.
Com a decisão de abandonar a mídia física em 2028, colecionadores e especialistas veem uma mudança profunda na relação entre plataformas e consumidores, que podem perder direitos e independência antes garantidos pelo suporte em disco.
Com informações de Hardware

