Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveram uma abordagem que transforma sensores LiDAR de smartphones premium em dispositivos capazes de detectar e reconstruir objetos escondidos atrás de paredes ou obstáculos. O estudo, publicado em maio na revista Nature, detalha como sinais luminosos quase imperceptíveis podem ser processados para revelar formas e movimentos fora do campo de visão direto.
Quem, o que e quando
A equipe liderada por Siddharth Somasundaram apresentou em maio de 2026 o novo método de processamento de dados LiDAR. A pesquisa, conduzida no MIT, demonstra que é possível aproveitar reflexos indiretos de luz captados em superfícies adjacentes — como pisos e paredes — para estimar a presença e o deslocamento de objetos ocultos.
Como funciona a tecnologia
Sensores LiDAR emitem pulsos de luz que retornam ao aparelho após atingirem superfícies, permitindo medir distâncias. Tradicionalmente, apenas os reflexos diretos são analisados. No entanto, o algoritmo criado pelos cientistas do MIT recolhe também sinais extremamente fracos que se espalham pelo ambiente. Essas informações, reunidas em diferentes ângulos e instantes, são combinadas para gerar representações tridimensionais simplificadas dos itens escondidos.
Testes e resultados
Nos experimentos, o equipamento padrão, avaliado em menos de US$ 100, foi apontado para superfícies próximas a objetos sem contato visual direto. Foram usados manequins, letras recortadas e estruturas de papelão posicionadas atrás de divisórias. Mesmo sem identificação prévia das formas, o sistema conseguiu acompanhar o movimento em tempo real e reconstruir contornos básicos dos alvos.
Potencial de aplicação
Segundo os autores, a técnica aproxima a captura de imagens “non-line-of-sight” (NLOS) de um uso cotidiano, dispensando equipamentos volumosos e caros. A pesquisa indica que, com referências prévias sobre o formato dos objetos, o desempenho se aprimora, mas os próximos desafios incluem identificar estruturas de geometria variada ou desconhecida.
Imagem: Imagem ilustrativa
Os pesquisadores afirmam que a popularização desse método pode estimular inovações em robótica, realidade aumentada e dispositivos vestíveis, ao permitir percepção espacial avançada com hardware comercial.
Com informações de Olhardigital