Em 11 de junho de 2026, centros meteorológicos internacionais confirmaram oficialmente o início de mais um episódio de El Niño, quando as águas do Pacífico Equatorial registram temperatura acima da média histórica. No Brasil, o fenômeno é associado a secas extremas no Norte e Nordeste, incêndios florestais, e, em contraponto, chuvas intensas e enchentes no Sul.
Previsões e riscos no horizonte
Modelos computacionais e boias oceânicas indicam 96% de chance de que o El Niño atinja intensidade forte ou muito forte entre setembro e novembro de 2026. O climatologista Carlos Nobre, do MIT, alerta para a possibilidade de um “Super El Niño”, evento amplificado pelo aquecimento global, que já elevou a temperatura da atmosfera em 1,5 °C e a do Pacífico em cerca de 1 °C desde o pré-industrial.
Segundo o físico Paulo Artaxo, da USP, é fundamental iniciar ações de prevenção antes de agosto, mesmo que a força exata do fenômeno só seja confirmada ao final de julho. “Devemos nos preparar para cenários médios, fortes ou super fortes”, afirma Artaxo.
No Norte e Nordeste, projeta-se redução drástica das chuvas, agravamento da seca nos principais rios e risco elevado de incêndios. A estiagem prolongada pode comprometer reservatórios, afetar comunidades ribeirinhas e intensificar a falta de água no semiárido. No Sudeste e Centro-Oeste, são previstos períodos de calor extremo, que pressionam o sistema de saúde e a rede elétrica, devido ao aumento da demanda por refrigeração.
Já o Sul do país deverá enfrentar frentes frias retidas e ciclones extratropicais, resultando em precipitações volumosas que podem gerar enchentes urbanas, colapso de encostas e interrupção de rodovias.
Ações estaduais de contingência
O Rio Grande do Sul antecipou o Plano de Prevenção a Desastres Hidrológicos, com desassoreamento de rios, reforço de diques, aquisição de radares meteorológicos e preparação de abrigos emergenciais. No Amazonas, a Operação Estiagem contratou dragagem em vias fluviais, instalou purificadores de água comunitários e reforçou brigadas civis para combate a focos de incêndio.

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A vulnerabilidade social agrava o risco: moradores de periferias, crianças, idosos e pacientes crônicos são os mais expostos a ondas de calor e inundações. No campo, o calendário agrícola pode ser alterado para reduzir prejuízos, já que a agropecuária responde por parcela significativa do PIB nacional.
Agora, a rapidez e a coordenação na implementação dos planos de contingência definirão o impacto econômico e, sobretudo, o número de vidas afetadas pelo El Niño no segundo semestre de 2026.
Com informações de Olhardigital


