Pesquisadores identificaram, em um quasar localizado a aproximadamente três bilhões de anos-luz da Terra, ventos de gás expelidos por um buraco negro supermassivo alcançando velocidades de até 30% da velocidade da luz – o equivalente a cerca de 323 milhões de quilômetros por hora. Esse fluxo ultrarrápido, observado no ultravioleta, representa o registro mais veloz já registrado nessa faixa de comprimento de onda.
O objeto, batizado de J2318, hospeda um buraco negro com massa estimada em 1,7 bilhão de vezes a do Sol. Embora a massa seja típica para esse tipo de núcleo galáctico, segundo o pesquisador Patrick Hall, da Universidade de York (Canadá), a rapidez com que o vento é lançado está longe do comum.
“Em termos de velocidade, o vento deste quasar poderia ser comparado a um furacão de categoria 79”, explicou Lucas Seaton, líder do estudo e também membro da equipe da Universidade de York, em comunicado divulgado em 4 de junho. Para cada categoria, a potência aumenta cerca de 20% em relação à anterior, ilustrando a intensidade inédita desse fenômeno cósmico.
Origem e características dos ventos
Os ventos em J2318 são gerados pela interação entre a radiação emitida pelo quasar e o gás que compõe seu disco de acreção – estrutura formada por poeira e material que se aproxima do buraco negro. Os fótons liberados pelo núcleo ativo empurram partículas carregadas, criando correntes de matéria que se propagam a velocidades extremas.
Em geral, ventos de quasares já foram detectados em comprimentos de onda de raios X, mas o registro em ultravioleta, com vazão tão elevada, é inédito. A equipe usou dados do SDSS-IV Time-Domain Spectroscopic Survey e do SDSS-V Black Hole Mapper, ambos programas do Sloan Digital Sky Survey, para analisar o espectro de J2318 e identificar as linhas de carbono e silício que evidenciam esses fluxos rápidos.
Imagem: Imagem ilustrativa
Além de representar um processo ainda enigmático – já que a mesma radiação capaz de impulsionar o vento também tende a ionizar completamente os átomos, tornando-os invisíveis –, esse fenômeno fornece pistas sobre como buracos negros supermassivos transferem energia para suas galáxias hospedeiras. Esse “feedback” pode expelir gás e poeira, elementos essenciais para a formação de estrelas, e influenciar o desenvolvimento galáctico.
“Esses ventos carregam quantidades enormes de energia que atuam como elo entre o núcleo ativo e o restante da galáxia”, afirmou Paola Rodríguez Hidalgo, da Universidade de Washington em Bothell. A equipe pretende continuar a busca por ventos tão rápidos quanto os de J2318, explorando desde o Universo local até suas regiões mais distantes.
Com informações de Olhardigital

