Em entrevista à CNBC em 23 de maio de 2026, o vice-primeiro-ministro e chefe do Ministério da Ciência e Tecnologia da Coreia do Sul, Bae Kyung-hoon, afirmou que o país deve garantir que os ganhos advindos da inteligência artificial alcancem toda a população. Segundo ele, o desafio global é definir como distribuir os lucros da tecnologia sem agravar desigualdades nem provocar demissões em massa.
Para Bae, a proposta de Seul é construir uma “sociedade inclusiva para a IA”, em que ninguém fique de fora dos benefícios gerados pelas inovações. Ele lembrou que os recentes embates trabalhistas com a indústria de tecnologia refletem essa tensão sobre a partilha dos resultados entre empresas e colaboradores.
Conflito na Samsung
No momento, trabalhadores da Samsung chegaram a planejar uma greve de 18 dias, mas o movimento foi suspenso após intervenção governamental para evitar prejuízos na produção. Os funcionários reivindicavam a formalização de bônus contratuais e a divisão de 15% do lucro operacional da empresa em gratificações. Um acordo preliminar foi firmado e será submetido à votação dos sindicatos.
Bae Kyung-hoon observa que incidentes como esse devem se repetir com superempresas de tecnologia, que tendem a concentrar fatias cada vez maiores de mercado. “Os conflitos recentes entre trabalhadores e corporações podem ser vistos como parte dessa tendência mais ampla”, comentou, reforçando a necessidade de políticas que equilibrem poder e renda.
Rali dos semicondutores na Bolsa
O avanço da inteligência artificial também impulsiona o mercado financeiro de Seul. O índice Kospi registra alta de 86% em 2026, acima dos 75% alcançados no ano anterior. O desempenho é guiado sobretudo por duas grandes fabricantes de chips de memória:
Imagem: Imagem ilustrativa
- Samsung: valorização de quase 144% desde o começo do ano;
- SK Hynix: alta próxima de 200% no mesmo período.
Ao ser questionado se essa dependência poderia se tornar uma vulnerabilidade, o vice-premiê defendeu que as empresas de semicondutores sustentam um extenso ecossistema de fornecedores locais, fomentando emprego e renda em diferentes regiões do país.
Bae Kyung-hoon acrescentou ainda que a Coreia do Sul está dando os primeiros passos rumo à “IA física”, conceito que envolve a incorporação de inteligência artificial em robôs, veículos autônomos e maquinário industrial capaz de perceber, raciocinar e agir no mundo real.
Com informações de Olhardigital
