A Alliance for Open Media marcou o dia 29 de maio para publicar a edição 1.0.0 do codificador de vídeo AV2. A data consta das últimas anotações feitas no repositório oficial de desenvolvimento da organização, que gerencia o ecossistema de compressão de mídia. A nova especificação chega para suceder o padrão AV1, trazendo ajustes nos algoritmos que visam reduzir o uso de dados em transmissões simultâneas de alta resolução e oferecendo suporte nativo a divisão de tela e aplicações de realidade virtual e aumentada.
Sem cobrança de royalties, o AV2 se mostra atrativo para integração em navegadores, players de mídia e soluções de streaming. No entanto, a incorporação direta em chips de consumo deve levar alguns anos até chegar ao mercado varejista em larga escala. Em comparação, o AV1 foi aprovado em 2018, mas só se popularizou em plataformas como YouTube e Netflix após sucessivos investimentos em infraestrutura de servidores e ciclos de atualização das redes de distribuição de conteúdo.
Para quem assiste a vídeos em alta definição via streaming, o protocolo AV2 promete diminuir interrupções e travamentos. Isso porque o novo padrão de compressão, sendo de código aberto, facilita o processamento seletivo dos dados pelo player — aliviando a carga sobre a unidade central de processamento e melhorando a experiência em conexões mais variáveis.
No campo do hardware, a implementação do AV2 ocorre em etapas distintas no silício. A NVIDIA incluiu desde a linha GeForce RTX 30 apenas o decodificador dedicado ao novo formato, enquanto a série GeForce RTX 40 passa a ofertar também o acelerador de codificação. A AMD, por sua vez, habilitou a decodificação a partir das placas Radeon RX 6000, precisando ajustar suas linhas de produção para incorporar o suporte integral ao AV2. O objetivo dessas mudanças é deslocar grande parte do processamento de vídeo da CPU para blocos lógicos específicos, reduzindo o risco de superaquecimento e otimizando o consumo de energia.
Imagem: Imagem ilustrativa
Em contraponto, o consórcio MPEG segue investindo no concorrente VVC (H.266), que prevê taxa de licença por dispositivo de hardware. A Apple adota esses formatos em seus sistemas móveis, o que acentua a fragmentação no mercado de players portáteis. Com a aprovação da especificação AV2, fabricantes de processadores para celulares e placas gráficas terão cerca de três anos fiscais para redesenhar seus componentes e permitir que o usuário final reproduza vídeos de alta fidelidade sem comprometer a bateria com decodificação por software.
Com informações de Hardware