Em Pornainen, na Finlândia, o primeiro sistema de armazenamento de energia térmica por meio de areia, desenvolvido pela Polar Night Energy em parceria com a Loviisan Lämpö, completou um ano de operação com desempenho superior ao previsto. Conhecido como “bateria de areia”, o equipamento demonstrou capacidade de reduzir em cerca de 70% as emissões de carbono do sistema local de aquecimento urbano, além de garantir fornecimento contínuo de calor.
Funcionamento do sistema
O núcleo da instalação é um cilindro de aço de aproximadamente 13 metros de altura e 15 metros de diâmetro, preenchido com cerca de 2 mil toneladas de esteatito, uma rocha com alta capacidade de retenção térmica. Durante períodos de geração excedente, principalmente a partir de energia solar e eólica, o calor é transferido via tubulações até o reservatório de areia.
O calor fica armazenado por dias ou semanas e, quando há demanda, é convertido em água quente, vapor ou ar aquecido. Esses insumos abastecem o sistema de aquecimento urbano de Pornainen e também atendem processos industriais locais.
Desempenho operacional e impacto ambiental
Segundo a Polar Night Energy, o sistema atingiu mais de 85% de eficiência energética ao longo dos 12 meses iniciais, com disponibilidade total no fornecimento de calor e sem interrupções. A Loviisan Lämpö destacou a eliminação do uso de óleo combustível e a redução significativa no emprego de biomassa.
Com esse modelo, as emissões do sistema de aquecimento local caíram em torno de 70%, um índice que confirma o potencial da tecnologia para abater gases de efeito estufa em centros urbanos que dependem de calor industrial e residencial.
Integração com fontes renováveis e ganhos econômicos
Além de mitigar a intermitência da energia solar e eólica, a bateria de areia gera economia: em momentos de menor demanda, a eletricidade para aquecer o reservatório foi contratada a preços até 80% abaixo da média de mercado, chegando a 90% em meses específicos.

Imagem: Imagem ilustrativa
O projeto também contribui para a diversificação da matriz energética, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e conferindo maior estabilidade aos custos de energia para a comunidade local.
Próximos passos e expansão
Com os resultados do primeiro ano, os responsáveis pelo empreendimento avaliam a viabilidade de replicar o sistema em outras regiões e em escalas superiores. O principal desafio é adaptar o modelo para redes de energia mais complexas, mantendo a eficiência e o impacto ambiental abaixo das metas estabelecidas.
O sucesso dessa experiência finlandesa abre caminho para novas aplicações da tecnologia em mercados que buscam soluções limpas e de baixo custo.
Com informações de Olhardigital
