Pesquisadores da Universidade RWTH Aachen, na Alemanha, publicaram em 28 de maio no periódico Cell Reports Physical Science os resultados de testes realizados em 120 células de íon-sódio fabricadas pela empresa chinesa HiNa. A análise concluiu que a tecnologia já apresenta performance próxima às baterias de íon-lítio usadas pela Tesla, apontando-a como uma alternativa econômica e viável para aplicações em veículos e sistemas de armazenamento de energia.
Metodologia de avaliação
A equipe utilizou técnicas como espectroscopia de impedância, exames por raios-X, testes de temperatura e desmontagem das unidades para avaliar uniformidade e durabilidade. Os cientistas observaram que a resistência interna variou apenas 5,3% entre as células, índice comparável ao de linhas de produção maduras de baterias de lítio-íon.
Desempenho em carga rápida e temperaturas frias
Os testes foram conduzidos sob diversas condições de uso, revelando três pontos principais:
- Carga rápida: as células mantiveram 100% da capacidade ao serem recarregadas em cerca de 15 minutos, algo incomum para uma química ainda em fase emergente.
- Temperatura moderada: sob condições de -4 °C, as baterias entregaram mais de 80% da energia utilizável quando carregadas em ambiente com temperatura controlada.
- Frio extremo durante o carregamento: o desempenho apresentou queda significativa quando o processo de recarga ocorreu em temperaturas negativas, indicando a necessidade de soluções avançadas de gerenciamento térmico.
Moritz Schütte, líder do estudo, ressaltou que “para aplicações com carregamento frequente em baixas temperaturas, estratégias de gerenciamento térmico ou operacional serão fundamentais”.
Vantagens do sódio
O sódio se destaca pela abundância e baixo custo de extração em comparação ao lítio, presente em menor quantidade e concentrado em regiões específicas. Essa disponibilidade pode reduzir gargalos na cadeia de suprimentos e diminuir o custo final das baterias. Segundo Schütte, “a combinação de boa uniformidade, alta potência e desempenho em baixas temperaturas torna essas células atrativas para armazenamento estacionário, serviços de rede elétrica e veículos de menor autonomia, onde custo e disponibilidade de recursos pesam mais que autonomia máxima”.
Limitações e aplicações potenciais
Embora mais acessível, a autonomia ainda é o principal desafio. Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que um SUV com bateria de íon-sódio percorre cerca de 350 km por carga, contra 400–600 km em modelos com lítio-íon. A paridade de custos só deve ocorrer em torno de 2030. Entretanto, para usos urbanos e armazenagem em larga escala, em que o custo por quilowatt-hora é mais relevante que a distância percorrida, a tecnologia de sódio mostra grande potencial de adoção.

Imagem: Imagem ilustrativa
Movimentos da indústria
Grandes fabricantes não aguardam a maturação completa da tecnologia para investir:
- CATL (China): planeja iniciar produção em massa no quarto trimestre de 2026.
- Changan (China): conduz testes em estradas congeladas na Mongólia Interior e avança no lançamento comercial.
- BYD (China): desenvolve sua própria linha de baterias de sódio.
- LG Energy Solution (Coreia do Sul): opera uma linha-piloto de fabricação em Nanjing, na China.
Gao Huan, diretor de tecnologia da CATL, comentou que “a era do sódio e do lítio brilhando juntos chegou”. A BloombergNEF projeta que a demanda global por células de sódio deve crescer 2,5 vezes em 2026, embora o segmento ainda represente parcela pequena do mercado total.
Com informações de Mundoconectado

