Pesquisadores do Instituto Italiano de Tecnologia (IIT) apresentaram um braço robótico que imita a estrutura e o funcionamento dos tentáculos de polvos, capaz de perceber o toque e regular a força de preensão sem depender de um controle centralizado. A pesquisa, divulgada em 16 de junho de 2026 na revista Nature Machine Intelligence, demonstra avanços na integração de sensores táteis diretamente nas ventosas artificiais da peça robótica.
Como funciona o sistema de sensores
Cada ventosa do protótipo conta com um anel óptico que reage à deformação causada pelo contato com objetos. Ao pressionar ou aderir a uma superfície, a mudança na reflexão de luz interna é captada por fotossensores, que transformam essa informação em dados sobre intensidade e direção da força necessária para segurar o item.
Esses dados permitem ao braço ajustar automaticamente a pressão exercida, aumentando-a ou reduzindo-a conforme o peso e o formato do objeto. Assim, o robô é capaz de manipular itens de diferentes tamanhos e texturas, reagindo em tempo real a variações no ambiente, inclusive sob a água.
Inspiração biológica nos polvos
O design do braço-robô incorpora a lógica dos tentáculos de polvos, que possuem grande concentração de neurônios distribuídos ao longo da estrutura e executam movimentos de forma autônoma. Assim como nos animais, a peça robótica não depende exclusivamente de um núcleo de processamento central: seus órgãos táteis realizam parte do processamento e da resposta motora localmente.
O protótipo alcança cerca de 40 centímetros de comprimento e possui 10 ventosas alinhadas em uma das faces. Em testes de laboratório, os pesquisadores demonstraram a capacidade do dispositivo de identificar e agarrar diversos tipos de objetos leves, mesmo quando submerso.
Imagem: Imagem ilustrativa
De acordo com a equipe do IIT, a tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento e, no momento, suporta somente itens de menor peso. Os cientistas apontam que, com aperfeiçoamentos, o braço robótico poderá ser aplicado em operações de exploração oceânica, monitoramento ambiental e coleta de amostras biológicas marinhas, atividades que exigem delicadeza e precisão.
Com informações de Olhardigital

