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China intensifica formação de especialistas em terras raras

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Publicado por Robson Lemes em 3 de junho de 2026 às 18:14.

China investe há décadas em um ecossistema acadêmico-industrial para manter liderança global na produção de terras raras, elementos essenciais para veículos elétricos, turbinas e equipamentos militares, enquanto EUA e Europa buscam reduzir a dependência do país asiático.

Ecossistema educacional voltado às terras raras

Cada ano, centenas de estudantes se deslocam para Baotou, na Mongólia Interior, onde instituições como a Universidade de Ciência e Tecnologia da Mongólia Interior oferecem cursos especializados em terras raras. Após a formatura, muitos seguem diretamente para refinarias, centros de pesquisa ou indústrias que produzem ímãs para motores elétricos, jatos e turbinas eólicas.

Levantamento da agência Reuters indica que a China conta com mais de 40 laboratórios dedicados ao tema e pelo menos 11 universidades e faculdades técnicas que formam mais de 500 alunos por ano. O modelo integra formação acadêmica, pesquisa aplicada e setores de mineração e refino, criando profissionais capazes de atuar imediatamente nas linhas de produção.

“Na China, eu costumava contratar jovens recém-formados e eles se tornavam produtivos imediatamente. Em qualquer outro lugar, eu precisava treiná-los por três anos”, afirmou Constantine Karayannopoulos, ex-CEO da Neo Performance Materials e Molycorp, à Reuters.

Currículo alinhado às demandas da indústria

Os cursos abordam toda a cadeia produtiva das terras raras, desde a metalurgia até a fabricação de ímãs e gestão de suprimentos. Em várias instituições, parte das aulas ocorre em instalações de empresas parceiras, garantindo contato direto com processos de refino e aplicação dos minerais.

Materiais didáticos analisados pela Reuters revelam ainda módulos sobre a geopolítica das terras raras e seu uso em sistemas militares dos Estados Unidos. Para David Parker, especialista da Universidade de Durham, o programa chinês é “altamente especializado” e reforça a posição de destaque da China em ciência e engenharia desses elementos.

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Imagem: Imagem ilustrativa

Resposta do Ocidente

Diante da supremacia chinesa, os Estados Unidos e outros países ocidentais têm investido bilhões de dólares em programas acadêmicos, pesquisa e novas iniciativas de mineração. Porém, em 2023, as universidades americanas concederam pouco mais de 200 diplomas em engenharia de mineração e metalurgia, refletindo a escassez de mão de obra especializada no setor.

Além do reforço financeiro, o governo chinês passou a impor restrições de contato entre técnicos de terras raras e estrangeiros, chegando a exigir que alguns profissionais entregassem seus passaportes. Em contrapartida, instituições norte-americanas ampliaram seus programas, mas ainda encontram dificuldade para alcançar o nível de integração visto na China.

A disputa pelas terras raras deixou de ser apenas uma questão de extração mineral e avança nas salas de aula e laboratórios, consolidando a liderança chinesa após décadas de investimento estruturado em pesquisa, indústria e formação técnica.

Com informações de Olhardigital

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Robson Lemes

Robson Lemes é especialista em tecnologia e criador de conteúdo focado em inovação, robótica e inteligência artificial. Como editor do Tecnologia Top, é responsável por trazer análises diárias e notícias de última hora sobre o mundo digital, sempre prezando pela precisão técnica e pelas diretrizes de transparência do jornalismo tecnológico.

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