China investe há décadas em um ecossistema acadêmico-industrial para manter liderança global na produção de terras raras, elementos essenciais para veículos elétricos, turbinas e equipamentos militares, enquanto EUA e Europa buscam reduzir a dependência do país asiático.
Ecossistema educacional voltado às terras raras
Cada ano, centenas de estudantes se deslocam para Baotou, na Mongólia Interior, onde instituições como a Universidade de Ciência e Tecnologia da Mongólia Interior oferecem cursos especializados em terras raras. Após a formatura, muitos seguem diretamente para refinarias, centros de pesquisa ou indústrias que produzem ímãs para motores elétricos, jatos e turbinas eólicas.
Levantamento da agência Reuters indica que a China conta com mais de 40 laboratórios dedicados ao tema e pelo menos 11 universidades e faculdades técnicas que formam mais de 500 alunos por ano. O modelo integra formação acadêmica, pesquisa aplicada e setores de mineração e refino, criando profissionais capazes de atuar imediatamente nas linhas de produção.
“Na China, eu costumava contratar jovens recém-formados e eles se tornavam produtivos imediatamente. Em qualquer outro lugar, eu precisava treiná-los por três anos”, afirmou Constantine Karayannopoulos, ex-CEO da Neo Performance Materials e Molycorp, à Reuters.
Currículo alinhado às demandas da indústria
Os cursos abordam toda a cadeia produtiva das terras raras, desde a metalurgia até a fabricação de ímãs e gestão de suprimentos. Em várias instituições, parte das aulas ocorre em instalações de empresas parceiras, garantindo contato direto com processos de refino e aplicação dos minerais.
Materiais didáticos analisados pela Reuters revelam ainda módulos sobre a geopolítica das terras raras e seu uso em sistemas militares dos Estados Unidos. Para David Parker, especialista da Universidade de Durham, o programa chinês é “altamente especializado” e reforça a posição de destaque da China em ciência e engenharia desses elementos.
Imagem: Imagem ilustrativa
Resposta do Ocidente
Diante da supremacia chinesa, os Estados Unidos e outros países ocidentais têm investido bilhões de dólares em programas acadêmicos, pesquisa e novas iniciativas de mineração. Porém, em 2023, as universidades americanas concederam pouco mais de 200 diplomas em engenharia de mineração e metalurgia, refletindo a escassez de mão de obra especializada no setor.
Além do reforço financeiro, o governo chinês passou a impor restrições de contato entre técnicos de terras raras e estrangeiros, chegando a exigir que alguns profissionais entregassem seus passaportes. Em contrapartida, instituições norte-americanas ampliaram seus programas, mas ainda encontram dificuldade para alcançar o nível de integração visto na China.
A disputa pelas terras raras deixou de ser apenas uma questão de extração mineral e avança nas salas de aula e laboratórios, consolidando a liderança chinesa após décadas de investimento estruturado em pesquisa, indústria e formação técnica.
Com informações de Olhardigital
