Em junho de 2026, a ONG Ctrl+Z e a deputada federal Erika Hilton encaminharam solicitações formais a autoridades brasileiras para apurar a ativação — considerada acidental — de uma funcionalidade do Instagram capaz de compartilhar a localização em tempo real dos usuários.
A Ctrl+Z protocolou representação junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, enquanto Erika Hilton acionou o Ministério Público Federal (MPF), requerendo a suspensão imediata da ferramenta. Ambas as iniciativas destacam o risco à privacidade de grupos vulneráveis, como mulheres, crianças e idosos.
Segundo os documentos, o “Mapa do Instagram” foi liberado sem planejamento adequado e com opções de interface pouco claras, o que poderia induzir o usuário a manter o rastreamento ativo de forma involuntária. O desligamento do recurso exigia ação manual e havia chance de reativação automática após interrupções.
A Meta informou que a ferramenta ficou acessível por engano e já foi desativada no Brasil. A empresa assegura que, atualmente, nenhum usuário no país consegue acessar nem compartilhar a localização por meio desse recurso.
No dia 11 de junho de 2026, Erika Hilton publicou em sua conta no X (antigo Twitter) um apelo pela intervenção do MPF, ressaltando que “um clique errado e a localização é compartilhada”, o que poderia expor pessoas a situações de perseguição ou violência.
Pressão regulatória e preocupações sobre design
As representações destacam dúvidas sobre a governança interna da Meta, critérios de liberação de funcionalidades e impactos para diferentes perfis, incluindo adolescentes. Também mencionam a adoção de “dark patterns”, práticas de design que incentivam decisões sem total transparência.
Em manifestações, as entidades citam que, nos Estados Unidos, o recurso já havia sido lançado e motivado carta de autoridades de 37 estados ao Instagram, expressando receios semelhantes acerca de segurança e privacidade.
Imagem: Imagem ilustrativa
Além disso, é feita analogia com o Snap Map, do Snapchat, ferramenta que já foi associada a casos de uso indevido de localização e perseguições. A comparação visa reforçar o potencial de danos caso o recurso seja reativado sem ajustes nos controles de privacidade.
Com a solicitação em tramitação, o Ministério da Justiça e o MPF poderão avaliar possíveis violações de normas de proteção de dados e, se for o caso, impor sanções ou determinar exigências para o retorno do serviço.
O desfecho das investigações deverá estabelecer parâmetros para o lançamento e controle de funções de rastreamento geográfico em plataformas digitais, bem como reforçar o debate sobre privacidade e consentimento do usuário.
Com informações de Olhardigital
