Reportagem do Wall Street Journal aponta que data centers dedicados à inteligência artificial consomem volumes de água muito acima dos números oficiais divulgados pelas grandes empresas de tecnologia. Além dos sistemas de resfriamento dos servidores, há um consumo indireto relacionado à geração de energia que abastece essas instalações.
Consumo direto versus consumo indireto
Corporações como Microsoft, Google e Amazon ampliaram sua malha de data centers conforme a demanda por IA aumentou globalmente. Nos relatórios públicos, elas costumam mencionar apenas a água usada nos chillers e torres de resfriamento internas. Contudo, existe um segundo patamar de uso hídrico, vinculado às usinas de energia que mantêm esses centros em funcionamento.
- Resfriamento interno e geração de energia explicam a diferença entre consumo direto e indireto
- Fontes fósseis elevam a demanda hídrica; renováveis praticamente eliminam esse uso
- Estudos indicam que o consumo indireto pode ser até 12 vezes superior ao direto
Matriz energética e variações no impacto
Falta de transparência e críticas ambientais
Não existe, até o momento, imposição legal para que as empresas contabilizem todo o consumo de água associado à inteligência artificial. Especialistas e órgãos reguladores apontam subnotificação sistemática. A Meta chegou a admitir que seu consumo indireto pode atingir mais de 20 vezes o volume declarado nos relatórios internos, mas a maioria das companhias segue focada apenas no uso direto.
Estratégias de mitigação
Para reduzir o impacto hídrico, algumas empresas vêm adotando sistemas de resfriamento em circuito fechado, que reutilizam a água em vez de descartá-la continuamente. A Nvidia afirma que essa tecnologia pode quase eliminar o consumo direto em novas construções, e a Microsoft planeja implementar soluções similares nos próximos anos. Mesmo assim, muitos data centers existentes ainda dependem de processos evaporativos, que, embora eficientes em termos energéticos, demandam volumes elevados de água.

Imagem: Imagem ilustrativa
O avanço acelerado da inteligência artificial reforça o dilema: quanto maior a capacidade computacional, maior a pressão sobre recursos naturais limitados.
Com informações de Olhardigital

