Em 11 de junho de 2026, centros meteorológicos internacionais confirmaram o início de um novo episódio de El Niño no Pacífico Equatorial. Modelos climáticos indicam 96% de probabilidade de que o fenômeno atinja intensidade forte ou muito forte entre setembro e novembro, com possíveis desdobramentos até o início de 2027.
O que é El Niño e por que o nome
El Niño faz parte do sistema ENSO (El Niño-Oscilação Sul), que regula ciclos naturais de aquecimento e resfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico. O termo El Niño foi cunhado por pescadores do Peru e do Equador no fim do século XIX, ao notarem correntes quentes próximas ao Natal, época em que o fenômeno se manifestava com mais clareza.
Episódios históricos marcantes
O El Niño de 1982-1983 é lembrado como um dos mais severos do século XX, provocando enchentes e deslizamentos na América do Sul e prejuízos à agricultura e à pesca. Já o episódio de 1997-1998 é considerado o maior da história moderna, com secas intensas, enchentes devastadoras e custos estimados em US$ 36 bilhões, além de mais de 20 mil mortes, segundo a ONU e a NASA. Entre 2015 e 2016, o fenômeno elevou recordes de temperatura global e agravou extremos climáticos em várias regiões.
Em 2023 e 2024, o El Niño foi classificado como moderado no Pacífico, mas contribuiu para chuvas intensas no Rio Grande do Sul e para o fortalecimento de ciclones extratropicais no Sul do Brasil, conforme lembra o climatologista Carlos Nobre, doutor em Meteorologia pelo MIT.
Impactos regionais pelo mundo
O calor acumulado no Pacífico tropical altera a circulação atmosférica, influenciando padrões de chuva e temperatura global:
- América do Sul: chuvas acima da média no Sul; secas na Amazônia e no Nordeste; enchentes e deslizamentos no Peru e no Equador.
- América do Norte: invernos com mais chuva no Sul dos EUA; temperaturas elevadas no Norte; influência na atividade de furacões.
- África: secas na África Austral e precipitações acima da média na África Oriental.
- Ásia: redução de chuvas e secas prolongadas na Índia, Indonésia e Filipinas, afetando colheitas.
- Oceania: seca, ondas de calor e risco de incêndios florestais na Austrália.
- Europa: efeitos mais sutis, mas mudanças em padrões de temperatura e precipitação no inverno.
Cenário brasileiro para 2026
No Brasil, a proximidade de novas ondas de calor, secas na Amazônia e no Nordeste e chuvas intensas no Sul são esperadas. Segundo Paulo Artaxo, físico atmosférico da USP, “secas muito intensas na região amazônica e nordeste brasileiro, emissões de queimadas e chuvas muito intensas no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina” devem caracterizar o segundo semestre de 2026. Ele acrescenta que o Sudeste também enfrentará calor extremo, com impacto sobre plantio e colheita.

Imagem: Divulgação / IEA
Perspectivas e relação com o aquecimento global
Pesquisadores alertam que, embora El Niño seja um fenômeno natural, o aquecimento global elevado propicia episódios mais intensos. “Quando um fenômeno de El Niño ocorre sobre um oceano mais quente, sua intensidade tende a ser maior”, destaca Carlos Nobre. A frequência de eventos fortes pode aumentar caso a temperatura média do planeta continue subindo.
Governos e setores produtivos precisam reforçar sistemas de alerta, planejamento urbano, gestão hídrica e adaptação da agropecuária para mitigar danos. A preparação antecipada e investimentos em infraestrutura de contingência são apontados como essenciais para enfrentar o próximo El Niño.
Com informações de Olhardigital
