Quem: Autoridades climáticas mundiais e climatologistas como Carlos Nobre e Oswaldo Lucon
O que: Oficialização do fenômeno El Niño e projeções de impactos meteorológicos
Quando: Esta semana
Onde: Oceano Pacífico Equatorial e continentes afetados
Como: A mudança na circulação de ventos alísios e o aquecimento das águas superficiais
Por que: Alterações na distribuição de calor entre oceano e atmosfera desencadeiam teleconexões globais
TRANSMISSÃO: Globo
El Niño declarado oficialmente
Esta semana, a comunidade científica confirmou, por meio de monitoramento climático global, o início de um episódio de El Niño, fenômeno que altera padrões meteorológicos em diversas regiões do planeta. A confirmação, divulgada em transmissão da Globo, marca o colapso do sistema de ventos alísios no Pacífico Equatorial, responsável por deslocar águas quentes em direção ao oeste do oceano.
Mecanismo de formação
Em condições normais, ventos alísios sopram de leste para oeste no Pacífico Equatorial, concentrando águas quentes próximo à Indonésia e Austrália. Esse deslocamento cria um equilíbrio térmico: águas frias e ricas em nutrientes emergem na costa da América do Sul, regulando a temperatura global.

Imagem: Imagem ilustrativa
No entanto, quando esses ventos enfraquecem, a massa de água aquecida retorna em direção ao leste, elevando as temperaturas na superfície marítima próxima ao Peru e ao Equador. O aquecimento em grande escala modifica o local de formação de nuvens de tempestade, alterando as correntes de ar planetárias por meio de teleconexões.
Efeitos regionais
De acordo com o meteorologista Carlos Nobre, doutor em Meteorologia pelo MIT, o El Niño representa um fenômeno global, afetando desde regiões tropicais até latitudes médias. No Sul do Brasil, por exemplo, costuma provocar chuvas intensas, enquanto a Amazônia e o Nordeste enfrentam secas mais severas. O impacto alcança também México, sul dos EUA, costa da Colômbia e Equador.
Na América do Norte, o incidente desvia a corrente de jato em alta altitude, resultando em invernos mais úmidos e tempestuosos no sul dos EUA, e temperaturas acima da média com menor ocorrência de neve no Canadá e norte americano. Já na África, o leste do continente pode ter chuva acima do normal, com risco de inundações, enquanto o sul sofre escassez de água e prejuízos na agricultura de subsistência.
Desafios para adaptação
Oceanos mais quentes, consequência do aquecimento global, tendem a intensificar episódios de El Niño, alerta Carlos Nobre. Para o pesquisador Oswaldo Lucon, do Instituto de Energia e Ambiente da USP, é urgente reforçar a resiliência das populações vulneráveis. Ele recomenda investimentos em brigadas de incêndio, planos de contingência hídrica e espaços climatizados.
Lucon defende ainda o financiamento de medidas de adaptação pelo princípio poluidor-pagador, envolvendo produtores e consumidores de combustíveis fósseis. O pesquisador alerta para riscos de pontos de não retorno em ecossistemas, como a irreversível perda de geleiras e espécies extintas, o que agravaria ainda mais as rupturas climáticas.
Com informações de Olhardigital
