Um levantamento da consultoria holandesa KPMG indica que 29% dos executivos seniores ouvidos em 20 países não entendem de onde vêm os custos crescentes associados ao uso de inteligência artificial (IA). O estudo ouviu 2.145 líderes e aponta que modelos de cobrança baseados em consumo estão por trás das faturas imprevisíveis.
Em vez de pagar uma assinatura fixa, como ocorre em softwares tradicionais, as empresas que adotam soluções de IA passam a arcar com valores proporcionais ao volume de tokens processados. Fornecedoras como OpenAI, Anthropic e GitHub cobram conforme a quantidade de dados consumidos, o que pode elevar muito a conta quando há uso intenso de chatbots ou agentes autônomos.
Orçamentos estourados e controle interno
A Uber, por exemplo, esgotou todo o orçamento previsto para IA em 2026 nos primeiros quatro meses e precisou desenvolver ferramentas internas para monitorar o consumo de tokens. Outras gigantes de tecnologia, como Amazon e Meta, também intensificaram a supervisão do uso dessas soluções, medida que vem sendo adotada por diversas organizações para conter despesas.
Projetos adiados e busca por eficiência
Segundo a pesquisa, quase metade das empresas entrevistadas já reestruturou ou adiou iniciativas de IA ao perceber que os custos poderiam superar os benefícios esperados. A dificuldade de mensurar o retorno sobre o investimento leva os gestores a priorizar casos de uso mais claros, comparar diferentes modelos e optar por versões menos potentes quando elas atendem às demandas sem elevar demais o valor final da fatura.
Desafios de governança
O relatório também ressalta que muitas organizações ainda não definiram regras para determinar quando é necessária a revisão humana das respostas geradas pela IA, quem assume a responsabilidade em caso de erro, como auditar resultados e quais procedimentos adotar diante de falhas. A própria KPMG enfrentou esse desafio ao precisar retirar um estudo de circulação depois de identificar “alucinações” geradas pelo sistema de IA usado na elaboração do documento.

Imagem: Imagem ilustrativa
Investimentos bilionários em infraestrutura
Enquanto clientes buscam conter gastos, grandes empresas de tecnologia seguem elevando os investimentos em infraestrutura de IA. A Amazon projeta destinar US$ 200 bilhões à expansão da capacidade da AWS, e a Microsoft planeja gastar US$ 190 bilhões. Somados, os aportes das principais fornecedoras devem superar US$ 700 bilhões em infraestrutura para atender à demanda por soluções de inteligência artificial.
Com informações de Tecnoblog

