Empresas que aceleraram a adoção de ferramentas de inteligência artificial para seus funcionários estão impondo restrições ao uso diante da escalada de custos com processamento. Em semanas recentes, gigantes como Amazon, Walmart, Cisco, Uber e Meta anunciaram limites de consumo ou migração para soluções mais econômicas.
O movimento reflete a transição do uso de chatbots básicos para agentes autônomos capazes de executar tarefas complexas, que demandam maior capacidade de processamento. Com as mudanças nos modelos de cobrança de provedores como Anthropic e OpenAI, que adotaram tarifas variáveis baseadas em tokens – unidade usada para mensurar a quantidade de dados processados –, as finanças corporativas passaram a avaliar mais rigorosamente a relação entre investimento e retorno.
Pressão sobre orçamento
Segundo Costi Perricos, líder global de IA generativa na consultoria Deloitte, “os custos de computação estão entrando no radar de diretores financeiros e conselhos de administração”. A cobrança por token expôs de forma transparente os valores envolvidos em cada comando ou fluxo de trabalho automatizado.
Medidas adotadas
Para conter gastos, as empresas definiram novas diretrizes internas:
- Uber: estabeleceu um teto de US$ 1,5 mil por mês em tokens de IA por colaborador, após atingir o orçamento anual previsto para 2026 já em abril.
- Walmart: limitou o número de tokens consumidos em cada requisição à ferramenta interna de programação, a Code Puppy.
- Cisco: reavaliou o balanço entre o uso de agentes de IA e o custo de infraestrutura necessário para mantê-los ativos.
- Amazon: emitiu alertas para que funcionários evitem usar IA sem necessidade funcional.
- Meta: revisou a métrica de adoção interna de suas ferramentas, adotando diretrizes semelhantes às da Amazon.
Demanda crescente e futuro
O presidente da Cisco, Jeetu Patel, destacou que manter agentes de IA em operação contínua exige uma infraestrutura muito mais robusta do que chatbots tradicionais. “Para cada humano, você pode ter dez, cem ou, no cenário mais agressivo, mil agentes trabalhando o tempo todo”, explicou.

Imagem: Imagem ilustrativa
Analistas do Goldman Sachs estimam que o consumo de tokens pelas empresas poderá crescer 24 vezes até 2030, o que poderá agravar a escassez global de chips especializados em IA nos próximos 12 a 18 meses. Enquanto isso, provedores como Microsoft, Amazon e Google desenvolvem mecanismos para direcionar automaticamente tarefas ao modelo de IA mais barato disponível.
Mesmo com as restrições, as organizações ainda precisam equilibrar o controle de custos com as promessas de ganhos de produtividade e retorno financeiro que a inteligência artificial oferece.
Com informações de Mundoconectado


