Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém e da Universidade de Toronto encontraram evidências de que ancestrais humanos controlavam o fogo entre 1,07 e 1,79 milhão de anos atrás na Caverna de Wonderwerk, localizada no deserto do Kalahari, África do Sul. O achado, publicado em junho na revista PLOS One, amplia o entendimento sobre quando e como primeiros hominídeos lidavam com o fogo.
Uso precoce do fogo por hominídeos
Os vestígios foram identificados em um ponto da caverna situado a cerca de 30 metros da entrada, em camadas vinculadas a ferramentas do tipo acheulense, atribuídas ao Homo erectus. Segundo os autores do estudo, liderados pela cientista Yolanda Fernández-Jalvo, os materiais apresentam sinais de exposição ao calor que não condizem com incêndios naturais externos.
Método de análise avançado
O estudo introduziu uma técnica baseada em luminescência para detectar sinais de queima em fósseis sem comprometer sua integridade. Associada a análises químicas complementares, essa abordagem elevou a confiabilidade na identificação de vestígios queimados em materiais arqueológicos antigos.
A equipe, coordenada por Liora Kolska Horwitz e Michael Chazan, observou que o padrão de ocorrência do fogo no interior da caverna se repetiu ao longo de diversos estratos, indicando uso recorrente. Os pesquisadores defendem que, embora esses hominídeos ainda não dominassem a produção do fogo, possuíam habilidades para conservar brasas e utilizá-las em benefício próprio, garantindo iluminação, aquecimento e defesa contra predadores.

Imagem: Imagem ilustrativa
Até o momento, evidências de uso intencional do fogo na Caverna de Wonderwerk eram associadas a cerca de 1 milhão de anos atrás. Com a nova datação, que recua esse marco para um intervalo entre 1,07 e 1,79 milhão de anos, a origem da relação entre humanos primitivos e fogo pode ser revisit ada por futuros estudos.
Com informações de Olhardigital

