Uma pesquisa publicada em 18 de maio na revista JAMA Neurology demonstrou que sequer uma única cabeceada em partidas de futebol amador é capaz de elevar temporariamente proteínas associadas a lesões cerebrais. O levantamento foi conduzido por cientistas do Centro Médico Universitário de Amsterdã (Holanda) e avaliou a resposta sanguínea de atletas após o impacto da bola na cabeça.
Metodologia e principais achados
O estudo envolveu 302 jogadores amadores do sexo masculino, de alto nível competitivo, durante 11 partidas. Amostras de sangue foram coletadas antes dos jogos, imediatamente após o término das partidas e entre 24 e 48 horas após cada confronto. Paralelamente, câmeras filmaram todas as cabeceadas para quantificar a frequência e estimar a intensidade de cada impacto.
Dos seis marcadores proteicos analisados, dois apresentaram variação diretamente proporcional ao número e à força das cabeceadas. A proteína S100B, produzida pelos astrócitos, registrou níveis significativamente maiores logo após os jogos em comparação com atletas que não executaram cabeceadas. Já a proteína p-tau217, um conhecido biomarcador sanguíneo da doença de Alzheimer, também apresentou incremento imediato em jogadores que realizaram mais de duas cabeceadas ou impactos de alta intensidade.
Recuperação e implicações em longo prazo
Embora ambos os marcadores – S100B e p-tau217 – retornem aos valores de referência entre 24 e 48 horas após a partida, os autores alertam que essa normalização não afasta possíveis danos permanentes ao cérebro. “As evidências que temos até agora sugerem que danos cerebrais estão ocorrendo devido às cabeceadas no futebol, tanto a curto quanto a longo prazo”, destaca Samantha Bureau, diretora executiva assistente da Concussion Legacy Foundation Canada, que não integrou o estudo.
Estudos anteriores indicam que traumas repetitivos na cabeça podem levar à perda de neurônios e inflamação cerebral. Com base nos resultados atuais, os pesquisadores levantam a hipótese de que os efeitos de compressões e desacelerações contínuas no crânio se acumulem ao longo dos anos, aumentando o risco de doenças neurodegenerativas.
Imagem: Imagem ilustrativa
Recomendações para o futebol
Especialistas como Peter Theobald, engenheiro médico da Universidade de Cardiff, ressaltam a importância de limitar a quantidade de cabeceadas em treinamentos. Organizações como a Associação de Futebol da Inglaterra já revisam protocolos de prática para reduzir a exposição dos jogadores, embora ainda não existam conclusões definitivas sobre os danos de longo prazo.
Com informações de Olhardigital

