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Estudos em meteoritos ajudam a decifrar a formação do Sistema Solar e impulsionam mercado

Douglas Galante

Meteoritos funcionam como registros naturais da química que existia antes do surgimento da Terra, armazenando informações sobre a formação dos planetas há mais de 4,5 bilhões de anos. Essas amostras preservam composições de elementos como fósforo e nitrogênio, essenciais para a vida, e permitem que cientistas reconstruam as fases iniciais do Sistema Solar.

De acordo com o astrobiólogo e professor de Geobiologia da USP, Douglas Galante, diferentes tipos de meteoritos documentam momentos distintos dessa história. “Os meteoritos metálicos vêm de núcleos de corpos formados menos de um milhão de anos após o aparecimento dos primeiros sólidos; os condritos rochosos vieram de asteroides que se consolidaram alguns milhões de anos depois”, explica Galante. A comparação entre esses grupos revelou como a distribuição de fósforo e nitrogênio mudou à medida que o Sistema Solar evoluía.

Pesquisas baseadas em cronologias de isótopos indicam que a diferenciação interna dos primeiros asteroides, separando núcleo e crosta, ocorreu rapidamente — nos primeiros dois milhões de anos após o nascimento do Sistema Solar. Por terem passado por processos de aquecimento e fusão, muitos meteoritos metálicos exigem a aplicação de modelos teóricos e experimentos de laboratório para restaurar suas composições originais.

Além de reconstruírem o passado cósmico, esses fragmentos chegam à Terra de forma natural, sem a necessidade de missões espaciais complexas, o que aumenta o volume de material disponível. Conforme o pós-doutor em astrobiologia e geoquímica Gabriel Gonçalves Silva, da Unisinos, “os meteoritos são valiosos porque representam amostras diretas de corpos que já não existem e nos trazem informações impossíveis de obter de outra forma”.

Missões de retorno, como a OSIRIS-REx, da NASA, ampliaram esse conhecimento ao coletar amostras do asteroide Bennu. A análise identificou fosfato puro e compostos ricos em carbono e nitrogênio, sugerindo que Bennu pode ter se originado de um mundo oceânico primitivo, reforçando o papel dessas rochas na história da vida no Sistema Solar.

Mercado de meteoritos

O valor científico dos meteoritos tem atraído também o interesse do mercado. Em um leilão da Sotheby’s, um fragmento marciano de 24,5 quilos (NWA 16788) foi arrematado por US$ 5,3 milhões. Segundo a química Amanda Tosi, integrante do grupo “As Meteoríticas” da UFRJ, a raridade é o principal fator de precificação. “Meteoritos lunares, marcianos ou angritos são muito mais caros que condritos ordinários”, afirma.

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Imagem: Imagem ilustrativa

A disponibilidade no mercado e o momento da queda também influenciam o preço. No evento de agosto de 2020, quando centenas de fragmentos atingiram Santa Filomena (PE), a oferta abundante fez o valor dos meteoritos locais despencar à medida que mais pedaços eram encontrados.

Para quem encontra uma rocha suspeita, Amanda orienta: consulte o diagrama disponível em meteoritos.com.br e, se os testes indicarem possibilidade de meteorito, procure um pesquisador em universidade.

Com informações de Olhardigital

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Robson Lemes

Robson Lemes é especialista em tecnologia e criador de conteúdo focado em inovação, robótica e inteligência artificial. Como editor do Tecnologia Top, é responsável por trazer análises diárias e notícias de última hora sobre o mundo digital, sempre prezando pela precisão técnica e pelas diretrizes de transparência do jornalismo tecnológico.

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