Transmissão: Band
O Brasil estabeleceu a meta de reduzir em 50% as emissões de carbono até 2030, comparado a 2005, e alcançar a neutralidade climática em 2050. Para atingir esses objetivos, a eletrificação das frotas e o uso de biocombustíveis têm se destacado como estratégias complementares.
O mito do “zero emissões”
Apesar de crescerem no país, os veículos elétricos não são livres de emissões. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), já circulam mais de 780 mil carros eletrificados no Brasil, entre totalmente elétricos e híbridos. Globalmente, a BloombergNEF estimou 22 milhões de unidades vendidas em 2025, o equivalente a 25% do total de veículos comercializados.
“Como é gerada a energia que vai parar na bateria? Se ela veio de hidrelétrica, ajudou na redução das emissões de carbono. Agora, se usar termelétrica, o ganho será menor.”
Fernando Pinto, diretor de tecnologia e inovação da UFRJ
Matriz elétrica brasileira
Comparativo global
Na China, que responde por dois terços das vendas de elétricos, o carvão representa 60,9% da matriz, de acordo com a IEA. Na Europa, petróleo e derivados somam 33%, gás natural 24% e carvão 12%. Esses perfis alteram significativamente as emissões associadas aos veículos elétricos em cada região.
O papel do etanol
O Brasil também é líder mundial na produção de etanol de cana-de-açúcar, biocombustível que compensa parte do CO₂ liberado na combustão pelo carbono absorvido pelas plantas. Superados desafios iniciais de desempenho a frio e corrosão, o etanol hoje se mostra operacionalmente maduro e financeiramente competitivo em relação à gasolina e ao diesel.
Estudo da Stellantis
Uma pesquisa de 2023 da Stellantis simulou um mesmo modelo rodando 240,49 km com etanol (E100), gasolina (E27), elétrico abastecido na matriz brasileira e elétrico na matriz europeia. Ao considerar todo o ciclo de geração e consumo de energia, o etanol registrou emissões inferiores aos elétricos carregados na Europa. Já o veículo elétrico recarregado no Brasil emergiu como o mais limpo.
Imagem: Imagem ilustrativa
“Os resultados comprovam as vantagens comparativas da matriz energética brasileira, principalmente a importância dos biocombustíveis para uma mobilidade mais sustentável.”
Antonio Filosa, presidente da Stellantis América do Sul
Quem sai na frente?
No cenário brasileiro, a eletrificação usando energia limpa apresenta a menor pegada de carbono, seguida pelo etanol. Em regiões dependentes de combustíveis fósseis, o etanol supera o elétrico em emissões. Em ambos os casos, ambos poluem menos que veículos a gasolina.
Especialistas defendem que o país combine eletrificação e biocombustíveis, dando ao consumidor opções alinhadas à infraestrutura disponível. “O Brasil tem o etanol, biometano, biodiesel… é diferente de países que apostam apenas na eletrificação”, afirma Fabio Delatore, professor do Instituto Mauá.
Com informações de Olhardigital