Uma nova métrica aponta que a proliferação de satélites e detritos na órbita baixa da Terra diminuiu drasticamente o tempo estimado até possíveis colisões. Em 2018, o indicador CRASH Clock marcava 164 dias até um impacto sem manobras evasivas; em maio de 2026, o intervalo caiu para apenas 2,5 dias.
Aumento do tráfego espacial e fragmentos em alta velocidade
O estudo, divulgado por pesquisadores e baseado em cálculos publicados no servidor arXiv, ressalta que mais de 15 mil satélites ativos circulam atualmente na órbita baixa. Além desses, há milhões de fragmentos de diferentes tamanhos. Partículas não rastreáveis em grande quantidade atravessam a órbita a velocidades próximas de 10 km/s, o que equivale à explosão de cerca de dois quilos de TNT ao colidir com um satélite operacional.
Segundo os autores, satélites de grandes megaconstelações somam mais de 10 mil unidades, enquanto outras 5 mil plataformas de diferentes países e empresas também estão em atividade. O aumento no número de lançamentos – cerca de 100 satélites por semana – reduz a folga para manobras corretivas, elevando a probabilidade de choques sucessivos, um efeito conhecido como síndrome de Kessler.
Manobras de evasão frequentes
Dados revelam que, em 2025, operadores realizaram cerca de 300 mil ajustes de trajetória para evitar colisões. Em média, cada satélite precisa executar uma manobra de desvio a cada dois minutos quando a probabilidade de impacto ultrapassa uma em 30 milhões. Apesar de choques reais serem raros – o último registrado ocorreu em 2009 –, o número de aproximações perigosas cresce com o aumento de debris.
CRASH Clock e riscos de efeito em cascata
O CRASH Clock foi desenvolvido para estimar quanto tempo levaria para ocorrer uma colisão se todos os satélites perdessem a capacidade de manobra devido a falhas de software, tempestades solares ou ataques cibernéticos. Conforme o relógio se aproxima de valores críticos, a chance de uma reação em cadeia aumenta, comprometendo a previsibilidade e a segurança da infraestrutura espacial.

Imagem: Imagem ilustrativa
Os pesquisadores alertam que a janela de segurança continua a se estreitar à medida que mais equipamentos são colocados em órbita. A densidade crescente de objetos exige sistemas de controle cada vez mais precisos, e pequenas falhas podem desencadear uma série de impactos que agravem ainda mais o problema.
Com informações de Olhardigital



