Uma equipe liderada por Lorenzo Procopio, da Universidade de Paderborn (Alemanha), registrou pela primeira vez em laboratório a backreação da radiação Hawking — o efeito que explica como um buraco negro perde energia ao emitir radiação. Publicado em julho de 2026 na revista Nature, o estudo avança na compreensão do processo quântico idealizado por Stephen Hawking em 1974.
Modelo de buraco negro óptico
Para contornar a impossibilidade de observar diretamente a radiação Hawking em astros reais — cuja emissão é tão fraca que se confundiria com o fundo cósmico —, os pesquisadores construíram um análogo em fibra óptica. O método foi baseado em um esquema desenvolvido há mais de dez anos por Ulf Leonhardt, do Instituto Weizmann de Ciências (Israel). Nele, dois pulsos ultrarrápidos de laser viajam na fibra, sendo que o primeiro altera suas propriedades ópticas e cria um “horizonte de eventos” para o segundo.
Em experimentos anteriores com essa configuração, já havia sido possível reproduzir a própria radiação Hawking. Desta vez, o foco foi detectar a backreação — uma pequena modificação no pulso emissor que corresponde ao recuo previsto pela terceira lei de Newton, ilustrando o mecanismo de transferência de energia.
Processo direto e implicações teóricas
Os resultados indicam que a radiação Hawking análoga surge por um único processo direto, e não por cascata de interações ópticas, como se supunha até então. “Nosso experimento e a teoria subjacente mostram que a radiação Hawking é o resultado de um processo direto, se a interação entre a radiação e o equivalente do campo gravitacional é biquadrática”, afirmam os autores no artigo.
Segundo Procopio, o achado simplifica a compreensão teórica e abre novas formas de calcular efeitos em sistemas que simulam buracos negros. Os pesquisadores sugerem ainda que, se o mesmo mecanismo for comprovado em outros tipos de análogos, poderia reforçar a visão de que a backreação observada é fundamental para explicar como esses objetos evaporam.
Embora a investigação abra caminhos para estudos sobre o paradoxo da informação — questão que Hawking explorou até seu último artigo, em 2018 —, a observação direta desse fenômeno em buracos negros reais permanece inviável no futuro previsível.
Com informações de Olhardigital

