A InSilico Medicine, empresa de biotecnologia sediada em Boston, vem investindo pesadamente em inteligência artificial para agilizar o desenvolvimento de novos medicamentos contra doenças complexas como câncer, Parkinson e fibrose pulmonar. O CEO Alex Zhavoronkov afirma que a tecnologia pode reduzir de anos para cerca de nove meses etapas que antes demorariam anos em laboratório, com o objetivo final de criar um “remédio quase divino” capaz de ampliar a longevidade humana.
IA no processo de descoberta de remédios
Desde sua fundação, a InSilico Medicine aplica algoritmos de aprendizado de máquina para identificar alvos terapêuticos e otimizar moléculas com potencial farmacológico. Segundo a empresa, o uso de IA reduz em até 50% o tempo necessário para gerar e testar compostos em fase pré-clínica. “Meu trabalho é fazer você viver muito, muito mais”, declara Zhavoronkov ao detalhar a ambição de prolongar a vida por meio de um tratamento inovador.
China como centro estratégico
Apesar de manter sua sede em Boston, a companhia decidiu concentrar parte expressiva de suas atividades na China, hoje considerada um dos polos de biotecnologia mais rápidos do mundo. De acordo com o CEO, o intervalo entre a descoberta de um alvo e o início de testes clínicos no país caiu para cerca de 2,5 anos, enquanto em outras regiões pode chegar a 4,5 anos. “Se não avançarmos com força, vamos ser superados”, enfatiza Zhavoronkov.
Parcerias bilionárias e expansão global
O plano de crescer rapidamente ganhou impulso com acordos de grande valor. A InSilico firmou parceria com a americana Eli Lilly que pode chegar a US$ 2,75 bilhões e, em seguida, um acordo com a sul-coreana SK Biopharmaceuticals avaliado em até US$ 2,5 bilhões. Até o momento, 13 candidatos a fármacos receberam aprovação inicial na China, sendo que 10 já estão em fase clínica e cinco foram desenvolvidos ou licenciados em conjunto com parceiros locais.

Imagem: Imagem ilustrativa
Riscos de bolha e perspectivas de longo prazo
Embora ainda não apresente lucro, a empresa garante ter recursos para operar pelos próximos cinco a seis anos sem captar novos investimentos. Zhavoronkov alerta para a formação de uma “bolha” no setor de IA na saúde, comparando o risco a um estouro maior que a crise de 2008 caso empresas sejam supervalorizadas sem resultados sólidos. Apesar disso, mantém foco no longo prazo e na crença de que a combinação entre IA e biotecnologia pode redesenhar o futuro da medicina.
Com informações de Olhardigital
