Um estudo publicado em junho de 2026 na revista iScience revelou um processo de fossilização inédito que manteve um pterossauro praticamente intacto por mais de 100 milhões de anos na Formação Romualdo, na Bacia do Araripe, no Ceará.
A pesquisa reuniu especialistas de 15 instituições do Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos. Para examinar o fóssil, os cientistas aplicaram tomografia tridimensional, microscopia eletrônica, geoquímica isotópica e espectrometria de massa.
Processo de conservação acelerada
Os resultados indicam que bactérias oxidantes de enxofre foram fundamentais na rápida mineralização do animal após a morte. A decomposição inicial teria gerado microambientes químicos especiais, permitindo a ação desses microrganismos. Em seguida, formaram-se sulfatos, fosfatos e carbonatos em sequência, criando uma “barreira” mineral que preservou tecidos moles e biomoléculas normalmente perdidos.
Um dos achados mais surpreendentes foi a identificação de esteroides, compostos orgânicos muito delicados, demonstrando a excepcionalidade do processo de fossilização.
“Este fóssil é uma verdadeira cápsula do tempo — não apenas está lindamente preservado, mas, pela primeira vez, detectamos traços de esteroides em um pterossauro, fornecendo mais evidências de que essas criaturas provavelmente se alimentavam de peixes ou lulas.”
Klitin Grice, diretora fundadora do Centro de Geoquímica Orgânica e Isotópica da Austrália Ocidental
Imagem: Imagem ilustrativa
O exemplar pertence ao grupo Anhangueridae, linhagem de pterossauros do período Cretáceo, e tinha cerca de oito metros de envergadura, de acordo com Renan Bantim, curador do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens.
Para Alexander Kellner, paleontólogo do Museu Nacional da UFRJ, o grau de conservação é extraordinário: tecidos que normalmente se degradariam em dias sobreviveram por mais de 100 milhões de anos. Já Antônio Álamo Feitosa Saraiva, da URCA, afirma que a descoberta amplia nossa compreensão sobre como fósseis excepcionais se formam e reforça a relevância da Bacia do Araripe para a paleontologia.
Os resultados consolidam a Bacia do Araripe como um dos principais sítios fossilíferos do planeta.
Com informações de Olhardigital

